quarta-feira, 25 de junho de 2014


                                                       COMEMORAÇÕES JUNINAS.

                O mês de junho marca pelas chamadas “Festas Juninas” ou ainda festas caipiras, que são comemorações típicas de outras regiões brasileiras e que nós inadvertidamente, misturamos com o tradicionalismo gaúcho.

                As festas juninas devem ter o seu norte pela reunião e congraçamento de pessoas e entidades representativas com alegria e saudáveis brincadeiras, saindo do dia a dia dos escritórios fechados, das salas de aula, dos brinquedos eletrônicos, etc.

                Ressalva-se nestas efemérides a homenagem aos santos padroeiros na preservação da participação coletiva e da própria tradição que não pode ser esquecida. Aos professores sugere-se que observem o fato na localidade e selecionem elementos, com intuito didático da questão.

Ressalte-se que os fogos de artifício não devem ser estimulados, pois a prática está a demonstrar o perigo que isto representa, principalmente quando manuseados por crianças e adolescentes, resultando em graves acidentes com sequelas muitas vezes irreversíveis.

                Se não houver um traje respeitoso à cultura caipira, dar preferencia à indumentária gaúcha. Não havendo esta possibilidade, vestir-se com o uniforme da própria escola.

                Valho-me agora do folclorista João Carlos Paixão Cortes para fazer a seguinte observação: “não misturar a festa gaúcha com a festa caipira que é uma tradição do interior paulista, principalmente. O importante é não ridicularizar os caipiras, que merecem todo o nosso respeito. Sabemos que o caipira é um tipo humano representativo de uma região brasileira, assim com o é o Vaqueiro, O Jangadeiro e o Próprio Gaúcho. Se deturpam a figura do caipira, tornando-a extremante ridícula e até mesmo cômica, transformando-o em verdadeiro palhaço, foi pela falta de conhecimento do tipo verdadeiro. A imaginação jocosa não viu no caipira as qualidades e virtudes que possui, ante as condições desfavoráveis do seu existir”.

                 Será que gostamos quando, em certos programas televisivos em nível nacional, ridicularizam a figura do gaúcho rio-grandense? E quais são os Santos Padroeiros do mês junino e suas fogueiras como eram feitas?

Santo Antônio: fogueira em forma quadrada, com parte alta menor que a base. Comemoração em 13 de junho. Chamado Santo casamenteiro.

São João: forma redonda. Comemora-se em 24 de junho.

São Pedro: fogueira em forma triangular. Comemora-se em 29 de junho. É considerado o padroeiro do Rio Grande do Sul.

Algumas brincadeiras também podem ser feitas. Entre outras, dança da batata: o casal que conseguir dançar uma música inteira equilibrando uma batata entre as testas, ganha uma prenda. Neste caso, prenda se refere a um presente, um mimo.

Corrida do saco: com um saco de aniagem faz a famosa corrida do saco.

Pau de sebo: comum nas festas juninas. Consiste num poste de madeira engordurado. Tem que se atingir o topo.

Corrida do casal: corrida a dois, interligados por fita ou corda nas pernas.

Dança do bastão: recreação coreográfica em que um dos participantes dança com um bastão ou vassoura e procura, em determinado momento, encontrar seu par, deixando o bastão (vassoura) para outro.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

                                                   RATIO STUDIORUM
FRANCA S.J., Leonel. O método pedagógico dos jesuítas: o "Ratio Studiorum": Introdução e Tradução.Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1952.       Leonel Franca (1893-1948), sacerdote da Companhia de Jesus, doutor em Teologia, escritor laureado com o prêmio Machado de Assis da ABL, dentre as suas obras, legou-nos O método pedagógico dos jesuítas, publicado postumamente, mediante a chancela IMPRIMI POTEST. A primeira parte do livro contempla 95 páginas e denomina-se Introdução.     O autor a inicia, discorrendo sobre as razões que originaram a fundação de colégios, a partir de 1548, e sua rápida proliferação em várias regiões da Europa, pois Inácio de Loyola, ao fundar a Companhia de Jesus, intentava peregrinar pelo mundo, para realizar a tarefa da evangelização, segundo as missões ordenadas pelo Papa. Os jesuítas, caracterizados como soldados de Cristo, deveriam cultivar os exercícios espirituais, com muita meditação e silêncio. No entanto, o primeiro colégio tem suas raízes plantadas em residências, inicialmente denominadas colégios, destinadas ao acolhimento de jovens estudantes inteligentes, potenciais candidatos jesuítas, os quais freqüentavam universidades públicas, e posteriormente as aulas passaram a ser ministradas na própria residência, originando-se, dessa forma, o Colégio Messina, fundado em 1548. Em face do ingresso cada vez mais significativo de alunos externos e da falta de experiência dos professores, fez-se sentir a necessidade de uma normatização do trabalho em colégios, o que exigiu a codificação do Plano de Estudos da Companhia de Jesus - o Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesu -, redigido por comissões de destacados jesuítas, sob a direção do Geral da Ordem, P. Acquaviva, submetido a várias análises e alterações, até adquirir forma definitiva e obrigatoriedade em 1599, após 15 anos de minuciosos estudos. O cerne do ordenamento era garantir a uniformidade de procedimentos, de mente e coração dos educadores jesuítas e dos alunos, para a consecução dos objetivos propostos, opondo-se à turbulência desencadeada pelo movimento reformista do século XVI. O autor, em seqüência, explicita que, o Ratio Studiorum, como se denomina abreviadamente, permaneceu por quase dois séculos, até a supressão da ordem, em 1773, quando o Papa Clemente XIV proibiu a Companhia de Jesus de atuar em seus colégios. Posteriormente, o Papa Pio VII, em 1814, restaurou a ordem, tendo o superior-geral nomeado uma comissão para elaborar uma revisão no Ratio Studiorum, cujas análises foram concluídas em 1832, apresentando-se uma nova versão, com 29 conjuntos de normas, exatamente um a menos que a versão de 1599. À medida que vai detalhando o longo processo do Ratio, Leonel Franca paralelamente faz a apologia da fidelidade aos princípios pedagógicos gerais do Plano de Estudos que devem continuar norteando os colégios dirigidos por jesuítas. Nesse aspecto, é essencial vislumbrar o momento em que a obra foi produzida por Franca: a década de 1940. Percebe-se que o autor procura evidenciar o seu apreço pelo sistema de ensino jesuítico, flexibilizando-o às circunstâncias de tempo e espaço, assegurando-lhe uma majestosa soberania na história da pedagogia. Como fontes do Ratio, emerge no texto a incontestável influência em Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, dos estudos vivenciados na Universidade de Paris, emoldurados pelo humanismo do Renascimento e pela restauração tomista, podendo-se inferir ter lá buscado as bases para seu método de ensino. Para construir a sinopse do Ratio, o autor alerta sobre a finalidade eminentemente prática bem como as origens históricas geradoras desse manual que preceitua métodos de ensino, regras e diretrizes objetivas aos envolvidos no processo educativo jesuítico. Prossegue Franca o estudo, elencando as dimensões sob os títulos: administração; currículo e metodologia; e os elementos mais importantes de seu conteúdo. Apresenta a administração dividida em Províncias ou Circunscrições territoriais supervisionadas por um Provincial, abrangendo casas e colégios da Ordem. Integram a hierarquia os Reitores de Colégios, os Prefeitos de estudos auxiliados pelos Prefeitos de disciplina, com atribuições especificamente delineadas. Cumpre ressaltar que a hierarquia organizacional reflete a estrutura piramidal da Igreja. Especifica o autor serem os estudos organizados em três modalidades de currículos: o Teológico, em quatro anos, abrangendo a Teologia escolástica e moral, a Sagrada Escritura, Direito Canônico e História Eclesiástica; o Filosófico, em três anos, baseando-se nas doutrinas de Aristóteles e Santo Tomás; e o Humanista, com duração de seis ou sete anos, abrangendo cinco classes, com cinco horas diárias de aula: Retórica, Humanidades, Gramática Superior, Média e Inferior. O Ratio Studiorum preceitua a formação intelectual clássica estreitamente vinculada à formação moral embasada nas virtudes evangélicas, nos bons costumes e hábitos saudáveis, explicitando detalhadamente as modalidades curriculares; o processo de admissão, acompanhamento do progresso e a promoção dos alunos; métodos de ensino e de aprendizagem; condutas e posturas respeitosas dos professores e alunos; os textos indicados a estudo; a variedade dos exercícios e atividades escolares; a freqüência e seriedade dos exercícios religiosos; a hierarquia organizacional; as subordinações... Exigia-se a elaboração de composições escritas com aprimorado rigor; liam-se autores greco-romanos, em especial Aristóteles, Cícero, e a retórica propunha formar o perfeito orador. Percebe-se que o sistema de ensino deveria eleger autores e pensadores vinculados ao pensamento oficial da Igreja, razão pela qual emerge vigorosamente a figura de Tomás de Aquino. A formação religiosa configurava-se como o maior pilar do sistema educativo jesuítico. Cuidava-se para que a fidelidade doutrinária fosse mantida, irrestritamente, evitando-se quaisquer textos, autores, questões polêmicas ou debates em discordância com a doutrina da Igreja, para que nada expusesse a fé e a piedade dos alunos. O apuradíssimo estudo do latim privilegiava leituras de autores clássicos, manejo das normas gramaticais e auxiliava no domínio das línguas pátrias, que, gradativamente, iam se inserindo no currículo. Integralizavam os trabalhos em aula exercícios complementares, teatro, discursos, declamações, academias, pregações no refeitório, premiações..., trilhando o ensino a dimensão humanístico-tradicional, em que a inteligência considerada produto da criação divina deveria desenvolver-se pelos ditames da Fé. Para reforçar e provar a excelência desse Saber que formava as elites culturais e lideranças hegemônicas, o autor cita escritores, pensadores, enfim, expoentes notáveis dos mais variados ramos da ciência que absorveram os conhecimentos na metodologia jesuítica: Cervantes, Vieira, Bernardes, Montesquieu, Voltaire, Moliére, Descartes, Galileu, Bossuet, Fontenelle, Berthollet, Gregório de Matos, Cláudio M. da Costa, Alvarenga Peixoto, Caldas Barbosa etc., etc. O autor reitera a admiração pela Ratio transcrevendo palavras de Paulsen, autor protestante, de respeitável autoridade: "Que o Ratio Studiorum tenha sido elaborado com grande sabedoria e diligência invulgar é o que não se pode pôr em dúvida. Nem tampouco é possível contestar que, no seu conjunto, o seu plano de estudos se adapta bem às exigências do tempo; tudo o que tinha um valor no mundo científico do século XVI foi nele levado em consideração. Não duvido tampouco, que pela organização escolar, a Ordem tenha promovido eficazmente a difusão da cultura intelectual, e, em particular, o conhecimento das línguas clássicas nos países católicos, onde os jesuítas eram os mestres mais instruídos e mais zelosos" (Franca, 1952, p. 55-56). Parece que o autor, ao transcrever esse juízo, objetivou demonstrar que, embora o Plano de Estudo da Companhia de Jesus visasse insurgir-se contra a Reforma pregada pelo protestantismo, teve a eficácia acatada por um protestante de reconhecida autoridade, que se curvou ao sistema organizado daquele ensino de vertente católica. Leonel Franca expõe, com muita ênfase, aspectos relevantes da pedagogia jesuítica: a preleção, em que se aborda um texto etimológica, gramatical, literária e historicamente; estudos privativos e grupais com exercícios escritos, pesquisas, heterocorreções; a emulação, arma de incentivo nos certames, debates, desafios, disputas, exposição de trabalhos, premiações, estimulando a entrada em Academias;1 a memorização, repetindo-se os pontos mais fortes das lições, praticando-se declamações e representações teatrais; a rígida formação moral e religiosa, com exortações em público ou em particular, vigilância contínua, concentração e perseverança nos estudos, domínio e controle das emoções, firmeza de caráter, sobriedade, obediência irrestrita aos superiores, práticas sacramentais freqüentes, aulas específicas de aprofundamento da doutrina católica. Embora não se preceituassem castigos corporais, os jesuítas não os suprimiram de todo. Permitiam-se, desde que houvesse justificativa, chicote ou palmatória, os golpes não ultrapassando a seis, evitando-se atingir o rosto ou a cabeça. "No dia solene da investidura, como símbolo da sua missão disciplinadora, recebia oficialmente o professor um chicote. E não o recebia em vão. Pierre Tempête, Principal do Colégio de Montaigu, mereceu a triste alcunha de Grand fouetteur des enfants" (Franca,1952, p. 60). Ainda na Introdução, o autor dedica 19 páginas ao valor permanente do Ratio, declarando que "educar não é formar um homem abstrato intemporal, é preparar um homem concreto para viver no cenário deste mundo" (Franca, 1952, p. 76). Para tanto, reitera ser a pedagogia jesuítica ativa, com aulas plenas de vida, e iluminada por um grande ideal de formação integral humanista, com professores muito bem preparados, em todas as dimensões da perfeição humana, verdadeiros apóstolos, modelos de virtudes. A escolha dos professores era submetida a rígidos critérios de seleção para que fossem eficientes no progresso intelectual, moral e espiritual dos alunos. Não poderia ser outro o perfil do mestre inserido na Companhia de Jesus, pois o termo Companhia sugeria um pelotão de soldados da Igreja de Cristo, responsáveis pela luta contra a Reforma protestante, a qual comprometia a hegemonia do catolicismo. Por não acatarem os protestantes a revelação subordinada à autoridade divina e infalível do Papa e da Igreja, e por pregarem o livre exame na interpretação da bíblia, sem interferência das autoridades eclesiásticas, somente professores com formação esmeradíssima poderiam enfrentar o combate, com armas espirituais. Para bem entender como deveriam ser os agentes do ensino jesuítico, cumpre lembrar que Inácio de Loyola, por ter sido oficial antes de ser sacerdote, imprimiu caráter militar à Ordem, e para revigorar a ascese desses soldados de Cristo a serviço do Papa e da Igreja, faziam-se obrigatórios os Exercícios Espirituais e Estudos Teológicos em profundidade. O autor encerra a parte introdutória apresentando farta bibliografia, como fronteira à segunda parte, intitulada: Organização e Plano de Estudos da Companhia de Jesus, que compreende 110 páginas de regras, traduzidas da própria Ratio, detalhando o agir de cada integrante do processo educativo, seqüencialmente: Regras do Provincial, do Reitor, do Prefeito dos Estudos, Comuns a todos os Professores das Faculdades Superiores, do Professor de Sagrada Escritura, do Professor de Língua Hebraica, do Professor de Teologia (Escolástica), do Professor de Casos de Consciência (de Teologia Moral), do Professor de Filosofia, do Professor de Filosofia Moral, do Professor de Matemática, do Prefeito de Estudos Inferiores (ginasiais), Normas da Prova Escrita, Normas para a distribuição de prêmios, Regras comuns aos Professores das classes inferiores, do Professor de Retórica, do Professor de Humanidades, do Professor da Classe Superior de Gramática, do Professor da Classe Média de Gramática, do Professor da Classe Inferior de Gramática, dos Escolásticos da Nossa Companhia, Diretivas para os que repetem privadamente a Teologia em dois anos, Regras do Ajudante do Professor ou Bedel, dos Alunos Externos da Companhia, da Academia, Regras do Prefeito da Academia, do da Academia dos Teólogos e Filósofos, do Prefeito da Academia dos Teólogos e Filósofos, da Academia dos Retóricos e Humanistas, da Academia dos Gramáticos. A título ilustrativo, segue-se a regra n. 20 (Franca, 1952, p. 148), a qual denotava o zelo com que o professor das faculdades superiores deveria tratar o aluno: "Zeloso do adiantamento dos alunos tanto nas lições como nos outros exercícios escolares; não se mostre mais familiar com um aluno do que com outros; não despreze ninguém; vele igualmente pelos estudos dos pobres e dos ricos; procure em particular o progresso de cada um de seus estudantes." Essa segunda parte do texto é densa de normatizações, autêntico código cogente e coercitivo, redigido com estilo claro, propiciando entendimento integral e leitura fluida. Segue-se como fecho do livro um índice onomástico. À guisa de conclusão, indubitavelmente, as diretrizes emanadas do Ratio Studiorum exerceram e até hoje exercem grande influência na pedagogia de educadores religiosos católicos de outras congregações, as quais absorveram as regras e princípios do jesuitismo, pondo-os em prática em suas instituições, com maior ou menor intensidade. A leitura desta obra permite refletir na importância do Ratio Studiorum para a Igreja Católica intimidada diante da Reforma Protestante à qual aderiram muitas nações que já estavam se adaptando à nova ordem social capitalista. Entendem-se as razões pelas quais Portugal elegeu a Companhia de Jesus para o monopólio da educação e de ensino tradicional na Metrópole e nas colônias, reinando de certa forma absoluta, até mesmo após a sua expulsão, pela Reforma Pombalina. A todos os que se propõem estudar a História da Educação esta obra de Franca é imprescindível, tanto para uma leitura crítica da parte introdutória, para se inferir como os padrões educativos do Ratio privilegiavam a classe dominante, e para conhecer na íntegra o ordenamento do Plano de Estudos Jesuíticos, seus princípios basilares, sua historicidade a subsidiar pesquisas, iluminar investigações, estabelecer análises comparativas com outras tendências pedagógicas. Por muitas vezes, durante a leitura do Ratio, senti-me provocada pelo autor, em face da dimensão persuasiva subjacente. Não se pode negar a capacidade discursiva de Leonel Franca ao considerar o Ratio Studiorum um Plano de Estudos de vigorosa magnitude, alinhavada à sua formação jesuítica. Ao longo do texto introdutório, em especial, o autor demonstrou o papel preponderante da Companhia de Jesus como instituição de vanguarda no processo de ensino tradicional, assegurando a hegemonia da influência religiosa na educação instrucional. Quanto ao ordenamento normativo em si mesmo, na segunda parte do livro, incontestavelmente, representa uma alavanca que impulsiona discussões sobre a história da Educação, mediante seus decretos educativos, abrindo pistas até mesmo para mais claramente vislumbrarem-se as estratégias da Igreja Católica no fortalecimento do poder do Papa, dos dogmas, do clero, dos concílios, enfim, da própria Igreja, tudo isso ligado à Inquisição. Embora o autor seja jesuíta, sua obra O Método Pedagógico dos Jesuítas configura-se como o primeiro sistema organizado de ensino católico, uma contribuição de inestimável importância, de mérito indiscutível no que tange ao estudo dos princípios educacionais da Companhia de Jesus, responsáveis pelo ensino não só no Brasil mas em várias regiões do mundo, cujas linhas pedagógicas ficaram incorporadas como parâmetro nas mentes dos educadores, não sendo de todo superadas, independente do pensamento laico sobre educação e das muitas reformas que se lhe sucederam. Cumpre assinalar, transpondo os limites da obra de Leonel Franca, que os jesuítas, através dos tempos, até a contemporaneidade, têm buscado manter o prestígio educacional, mediante atualizações de seu sistema pedagógico de ensino, em especial, mediante a 31ª Congregação Geral, fundamentada no Concílio Ecumênico Vaticano II, que inaugurara uma nova fase na história da Igreja. "Nesse contexto, a assembleia dos jesuítas reafirmava a importância de se prosseguir o apostolado educativo em instituições escolares, um dos principais trabalhos da Ordem, não obstante certas vozes internas discordantes, admitindo que ele poderia ser exercido de outras maneiras. Seguindo a finalidade primordial da pedagogia jesuítica, ' virtude e letras' ou ' fé e ciência', o trabalho educativo visa fazer dos cristãos homens cultos e comprometidos com o apostolado moderno e propiciar aos não-cristãos, por meio de uma formação humana integral, a orientação para o bem comum e o conhecimento e o amor de Deus ou, pelo menos, dos valores morais e religiosos" (CGXXXI, d. 28, n. 7).2 Notas
1 "Sob o nome de Academia entendemos uma união de estudantes (distinctos pelo talento e pela piedade), escolhidos entre todos os alunos, que, sob a presidência de um membro da Companhia, se congregam para entregar-se a certos exercícios relacionados com os assuntos" (Regras da Academia, n. 1. Franca, 1952, p. 221).
2
Klein, Luís Fernando, SJ. Atualidade da pedagogia Jesuítica. São Paulo: Edições Loyola, 1997, p. 47.         [ Links ]

quarta-feira, 18 de junho de 2014


                                                               QUEM FOI MARCÍLIO DIAS?

                O negro participou ativamente desde os primeiros passos da formação do Rio Grande do Sul. A própria frota de João de Magalhães – a primeira incursão oficial no território rio-grandense, a partir de Laguna, em 1715 - era constituída, em sua quase totalidade, por escravos. Quando José da Silva Paes desceu à terra, em Rio Grande, em 1737, também o acompanhavam inúmeros negros ou mulatos. O ciclo econômico das charqueadas só foi possível, porque havia o braço escravo a impulsioná-lo.

                Para sintetizar todo um espírito de participação e sacrifício, caraterizador do negro rio-grandense, basta a evocação cívica do marinheiro Marcílio Dias. Nascido em São José do Norte, provavelmente em 1838, filho de uma humilde lavadeira, entrou para a Marinha Imperial, como grumete, aos 16 anos de idade, tendo sua primeira promoção em 1861: marinheiro de 3 classe. Aprendendo a ler e escrever, cursa a Escola Prática de Artilharia e é promovido a 2 classe. Passa então a servir na fragata “Parnaíba” e, em julho de 1864 é promovido a marinheiro de 1 classe.

Participa das operações de guerra contra o Uruguai e destaca-se, pela bravura, na tomada de Paissandu, a 2 de janeiro de 1865. Nesse mesmo ano estoura a guerra contra o Paraguai e, em 11 de junho, a “Parnaíba” é uma das fragatas brasileiras na decisiva batalha naval do Riachuelo.

                Esse “navio” escreve Prado Maia, “viveu o momento mais dramático da peleja gloriosa. Abordado por três navios inimigos, prodígios de bravura e ousadia operam-se no seu bojo para defender o convés da invasão brutal. Calam-se os canhões e os seus sabres se cruzam, tinindo. Todo o horror das primitivas lutas singulares, corpo a corpo, a arma branca, todo o escarcéu dos entreveros barbarescos enche a canhoneira”.

O destemor e o ânimo de Marcílio Dias se manifestam em um nível sobre-humano, mas, não obstante, ele tomba esvaído em sangue. Não chega a tomar consciência da vitória das armas brasileiras e, consegue sobreviver apenas mais um dia. A parte oficial datada de 13 de junho, assim se refere ao nosso bravo marujo:

“Seu corpo, crivado de horríveis cutiladas, foi por nós piedosamente recolhido e só exalou o último suspiro ontem, às duas horas da tarde, havendo-se-lhe prestado os socorros de que se tornara digna a praça distinta do Parnaíba. Hoje, pelas dez horas da manhã, foi sepultado, com rigorosa formalidade, no rio Paraná, por não termos embarcação própria para conduzir seu cadáver à terra”.

             (pesquisa: Palha, Américo. Soldados e Marinheiros do Brasil. RJ, Biblioteca do Exército).

terça-feira, 17 de junho de 2014

                                                                Curar-se?
O psicólogo americano Roger Callahan, também estudioso de acupuntura e cinesiologia, procurava há anos a melhor forma de curar uma de suas pacientes com fobia de água. Numa das sessões, pediu a ela que se concentrasse na sensação de angústia que sentia no estômago quando o assunto vinha à tona. Em seguida, com a ponta dos dedos, deu leves batidas embaixo do olho da paciente, ponto onde está localizado o meridiano do estômago (segundo a acupuntura, terapia da medicina chinesa, meridianos são os canais por onde circula a energia vital do nosso corpo). Para sua surpresa, a mulher se curou totalmente da fobia. Dessa experiência surgiu a EFT (Emotional Freedom Techniques), que, em português, significa “técnica de liberação emocional”. “É como uma acupuntura emocional ou psicológica, mas sem agulhas”, diz a naturopata e terapeuta de EFT Meire Yamaguchi. De acordo com a terapia, tudo o que nos faz sofrer, ou seja, as emoções negativas como raiva, medo e tristeza, é resultado de uma ruptura do sistema energético corporal. “Essa ruptura pode ter várias causas, desde um trauma relacionado a um acidente ou a uma traição, por exemplo, até uma memória celular proveniente da gestação”, esclarece Meire. Para rearmonizar esses meridianos permitindo que a energia flua de novo e, consequentemente, eliminar qualquer dificuldade emocional ou sentimento ruim, outro americano, chamado Gary Craig, adaptou a técnica – que se tornou de domínio público em 2009. Ele criou uma sequência de pontos em que todos os meridianos são acessados por meio de toques com a ponta dos dedos (figura B). “Ao mesmo tempo que executa o movimento, o paciente sintoniza no problema em questão por meio da repetição de frases relacionadas às sensações negativas que estão sendo trabalhadas”, explica o também terapeuta de EFT André Lima. Essa sequência permite que problemas de naturezas diferentes sejam acessados, de dores físicas a compulsão alimentar, depressão, estresse e insônia. Um dos grandes diferenciais da técnica – reconhecida pela Associação Americana de Psicólogos como eficaz em casos de depressão, dor e síndrome do estresse pós-traumático – é que ela pode ser autoaplicável, além de ser rápida (uma rodada de EFT dura cerca de 15 segundos) e fácil de ser aprendida. “O segredo é primeiro pensar no problema, depois nas emoções que ele traz, como insegurança e revolta, e, finalmente, identificar no corpo onde e de que forma você as sente, como coração acelerado, uma pontada no estômago ou uma agulhada na cabeça”, aconselha Meire. “A prática ainda conduz ao autoconhecimento justamente porque você começa a reconhecer a origem das suas emoções”, completa a dentista Suzana Arantes, praticante há dois anos. Só vale frisar que problemas mais complexos, como a depressão, pedem a ajuda de um profissional de EFT. “Ele ajudará o paciente a desvendar as causas do problema”, diz Meire.
Greg


Este é o primeiro passo da sequência. Na lateral da mão, entre a base do dedo mínimo e o osso do pulso, está o ponto caratê. Usando a ponta dos dedos indicador, do meio e anelar, dê batidinhas constantes nesse local enquanto repete, em voz alta, três vezes a frase: “Mesmo tendo... [dar o nome do problema], eu me aceito profunda e completamente”.





Cure a insônia

1. Selecione um sintoma da insônia, como pensamento fixo, ansiedade, tensão corporal, nervosismo, tristeza, dor ou medo.
2. Observe o que sente no corpo quando pensa nesse sintoma (ansiedade, por exemplo) e foque na sensação mais forte. Pode ser uma sensação de mente alerta ou de estômago contraído. Se houver dor, verifique onde ela se localiza no corpo e como ela é (latejante, como uma agulha o espetando, ou como se tivesse levado uma surra, uma apunhalada...). Se surgir uma imagem, fixe-a na mente.
3. Dê uma nota de zero a dez à intensidade dessa sensação.
4. Faça a preparação para a terapia batendo no ponto caratê enquanto diz: “Mesmo tendo esta imagem ou esta sensação de...[estômago contraído, por exemplo], eu me aceito profunda e completamente”. Repita a frase três vezes.
5. A seguir, a cada um dos pontos de EFT da sequência, diga a frase-lembrete: “Esta sensação de estômago contraído”.
6. Reavalie a sensação dando uma nota de zero a dez. Se for zero, recomece o processo, mas com um novo sintoma (medo, por exemplo). Caso contrário, se a sensação negativa persistir, inicie outra rodada de EFT a partir do quarto passo, mas agora dizendo: “Mesmo tendo este resto de... [sensação de estômago contraído], eu me aceito profunda e completamente”. O mesmo vale para a frase-lembrete: “Este resto de sensação de estômago contraído”.
7. Refaça a sequência até zerar todos os aspectos.
Cure a baixa autoestima

1. Faça uma lista das opiniões negativas que você tem a respeito de si mesmo. Seja o mais específico possível. “Sou feio” é generalizado, “meus olhos são muito pequenos” é mais particular. Outros exemplos: “Eu me sinto incapaz de expor minha opinião na reunião de trabalho”; “Sou incapaz de dizer ‘não’ ”; “Sinto que incomodo as pessoas com minha presença”, “Não me sinto respeitado/amado pelo meu pai”.
2. Selecione uma dessas opiniões negativas. Sinta como seu corpo reage a ela e foque na sensação mais forte (dor na barriga, tensão nos ombros, tensão nas mandíbulas, fraqueza nos joelhos...).
3. Dê uma nota de zero a dez à intensidade dessa sensação.
4. Inicie a preparação batendo no ponto caratê enquanto diz: “Mesmo tendo esta sensação de... [fraqueza nos joelhos, por exemplo], eu me aceito e me perdoo profunda e completamente”. Repita a frase três vezes.
5. Fazendo os pontos de EFT, diga a fraselembrete: “Esta sensação de fraqueza nos joelhos”.
6. Reavalie a sensação dando uma nota de zero a dez. Se for zero, recomece o processo, mas com um novo sintoma (tensão na mandíbula, por exemplo). Caso contrário, se a sensação negativa persistir, inicie outra rodada de EFT a partir do quarto passo, mas desta vez dizendo: “Mesmo tendo este resto de... [sensação de fraqueza nos joelhos], eu me aceito profunda e completamente”. O mesmo vale para a fraselembrete: “Este resto de sensação de fraqueza nos joelhos”. Além dessa frase, você pode complementar com outras, como: “Mesmo eu não sendo perfeito como um modelo, eu sou o perfeito eu”; “Mesmo que queira ser aceito pelos outros quando eu mesmo não me aceito como sou, eu me perdoo profundamente”; “Mesmo que eu sinta que incomodo com minha presença, eu existo e tenho tanto valor como todo mundo”; “Mesmo que eu sinta medo de expor minha opinião, ela tem valor e pode fazer a diferença”.
7. Refaça a sequência até zerar todos os aspectos.
Cure a dor física

1. Localize no seu corpo onde você a sente e de qual forma ela se manifesta (agulhada na têmpora direita ou como um martelo batendo no topo da cabeça).
2. Foque na sensação mais forte (como a agulhada na têmpora direita).
3. Dê uma nota de zero a dez à intensidade dessa sensação.
4. Comece a preparação batendo no ponto caratê enquanto diz: “Mesmo tendo esta sensação... [latejante na têmpora direita, por exemplo], eu me aceito profunda e completamente”. Repita a frase três vezes.
5. Fazendo os pontos de EFT, diga a fraselembrete: “Esta dor latejante na têmpora direita”.
6. Reavalie a sensação dando uma nota de zero a dez. Se for zero, recomece o processo, mas com um novo sintoma (martelo batendo no topo da cabeça, por exemplo). Se a sensação negativa persistir, inicie outra rodada de EFT a partir do quarto passo, mas desta vez dizendo: “Mesmo tendo este resto de... [sensação latejante na têmpora direita], eu me aceito profunda e completamente”. O mesmo vale para a frase-lembrete: “Este resto de sensação latejante na têmpora direita”. Reavalie a dor dando uma nova nota de intensidade de zero a dez.
7. Refaça a sequência até zerar todos os aspectos.
Cure a fobia

1. Imagine-se na situação que causa fobia (como precisar falar em público) ou visualize o objeto deste medo (rato, aranha, barata...).
2. Sinta como seu corpo reage. O rosto pode ficar vermelho, você pode ter calafrio nas costas ou o coração acelerar...
3. Focalize no sintoma mais forte e dê uma nota de zero a dez à intensidade dessa sensação .
4. Comece a preparação batendo no ponto caratê enquanto diz: “Mesmo tendo... [por exemplo: “esta sensação de calafrio nas costas”], eu me aceito profunda e completamente”. Repita a frase três vezes.
5. Fazendo os pontos de EFT, diga a fraselembrete: “Esta sensação de calafrio nas costas”.
6. Reavalie a sensação dando uma nota de zero a dez. Se for zero, recomece o processo, mas com um novo sintoma (rosto fica vermelho, por exemplo). Caso contrário, se a sensação negativa persistir, inicie outra rodada de EFT a partir do quarto passo, mas desta vez dizendo: “Mesmo tendo este resto de... [calafrio nas costas], eu me aceito profunda e completamente”. O mesmo vale para a frase-lembrete: “Este resto de calafrio nas costas”. Reavalie a dor dando uma nova nota de intensidade de zero a dez.
7. Refaça a sequência até zerar todos os aspectos.
Cure o estresse ou a ansiedade

quinta-feira, 12 de junho de 2014


                             O MÊS DE JUNHO MARCA O NASCIMENTO DA PRIMEIRA MÉDICA BRASILEIRA!

                Em sete de junho de 1866, nasce Rita Lobato Velho Lopes na cidade de Rio Grande. Frequentou o curso secundário em Pelotas e demonstrou, desde cedo, pendores para a Medicina. Entretanto, os preconceitos da época eram desestimulantes a vocações desse tipo, pois as funções específicas de uma mulher branca continuavam sendo, casar (com marido que o pai escolhesse), procriar (no que tinha a concorrência das escravas), rezar e costurar. Foi quase um escândalo a reforma Leôncio de Carvalho, estabelecida pelo Decreto Imperial 7247, de 19 de abril de 1879, pelo qual se reconhecia “a liberdade e o direito da mulher frequentar os cursos das Faculdades e obter um título acadêmico”.

                Valendo-se de tal abertura, Rita Lobato matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se depois à Faculdade de Medicina de Salvador, na Bahia. Sentiu a hostilidade, que ainda perdurava, contra o ingresso feminino em curso superior, mas não esmoreceu em sua férrea determinação de adquirir o diploma. Gradativamente, conquistou a simpatia dos colegas e professores, até receber do Corpo Docente, da Faculdade, as maiores considerações.

                Defendeu a tese sobre “A Operação Cesariana”, a 25 de novembro de 1887 e finalmente recebeu o grau, a 10 de dezembro do mesmo ano.

                Era a primeira brasileira formada em medicina.

Após a formatura, retornou ao Rio Grande do Sul. Na fazenda Santa Vitória, de sua avó, D. Luciana Terra Velho, nos arredores de Rio Pardo, a nossa “Tranqueira Invicta”, casou com Antonio Maria Amaro Freitas, nascendo deste consórcio uma única filha, Isis.

                Clinicou em Porto Alegre durante algum tempo, mas terminou por se radicar em Rio Pardo, onde exerceu a profissão desde 1910 até 1925. Foi eleita vereadora pelo Partido Libertador em 1935, desempenhando a função política até o golpe de Estado de 1937, que fechou as Câmaras Municipais.

                Passou o restante de sua vida na Estância de Capivari, nesse mesmo município. Faleceu em seis de janeiro de 1954.

           (Pesquisa: Almanak Literário e Estatístico da Província do RS, Enciclopédia Rio-Grandense, Enciclopédia Globo, Kraemer Neto. Nossa Terra, Laytano, Dante de. Guia Histórico de Rio Pardo.)

quarta-feira, 4 de junho de 2014


                                                    COLÔNIA DO SACRAMENTO!

Em meados do século XVIII era Laguna o último estabelecimento português para o sul do Brasil. Daí, até o Rio da Prata, estendia-se um vasto litoral a bem dizer desconhecido e raramente povoado por indígenas.

                Nesta época, os portugueses e espanhóis porfiavam em aumentar os seus domínios. Neste intento a câmara do Rio de Janeiro dirigira, em 1671, uma representação à metrópole no sentido de fixar-se no Rio da Prata o limite sul do Brasil e levantar-se ali uma fortaleza.

                Atendida a sua solicitação, foi nomeado D. Manoel Lobo para governador do Sul, o qual, chegando ao Rio de Janeiro, tratou de ir desempenhar a sua comissão.

                 Em 1680, primeiro de janeiro, D. Manoel funda na margem esquerda do Rio da Prata, em frente às ilhas de São Gabriel, a Colônia do Sacramento. Esta fundação foi o início da longa luta entre espanhóis e portugueses por quase um século.

                Como já vimos, entre Laguna e a Colônia do Sacramento mediava uma extensa região desocupada. Era preciso, portanto, abrir comunicação por ali entre os dois pontos e disso tratou logo o governador Francisco de Távora, mandando explorar o sertão em 1715.

                Esta expedição foi aprisionada pelos indígenas e a custo pode salvar-se. Outra, logo depois, voltou trazendo muito gado e alguns índios.

                Em 1726, João de Magalhães estabelece um caminho entre Laguna e a Colônia do Sacramento.

A FUNDAÇÃO DA COLONIA DO SACRAMENTO EM 1680

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PALCO DE DISPUTAS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA: BUENOS AIRES, DOS CASTELHANOS E A COLONIA DO SACRAMENTO DOS PORTUGUESES.

 
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
missão de filhos da Pátria do Evangelho;

o Irmão Chico Xavier, pela sua vida de dedicação e amor à Doutrina

Espírita;

Irmãos espirituais, que muito me ajudaram com suas inspirações;

Todos que direta ou indiretamente me deram a sua contribuição.

A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho.

SUMÁRIO.

Chico Xavier: o homem e o médium 13

I. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho 23

II. Descobrimento da Terra de Vera Cruz 33

III. A Escravidão no Brasil 37

IV. Inconfidência Mineira 43

VI. O Movimento Abolicionista 49

VII. O Século XIX 53

VIII. Federação Espírita Brasileira 67

IX. Considerações Finais 71
A MISSÃO DO BRASIL COMO PÁTRIA DO EVANGELHO.
APRESENTAÇÃO.

A presente obra tem por objetivo fazer um estudo do livro: Brasil, Coração

do Mundo, Pátria do Evangelho, do autor espiritual Humberto de Campos,

psicografado por Francisco Cândido Xavier. O texto busca levar o leitor a refletir

sobre as indagações que nos trazem a referida obra:

Somos a pátria do evangelho? Por que? o que significam estas palavras? O

que elas nos dizem? Será que isso quer dizer que somos um povo evangelizado?

Será que vivenciamos o evangelho? O que é vivenciar o evangelho? Responder a

estas indagações é o que se propõe o presente estudo. Sendo a obra em

referência, uma psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, nada melhor

para comprovar a sua seriedade e credibilidade, que o texto apresentado a seguir.

A autora.

***

CHICO XAVIER:

O Homem e o Médium.

Nascido em 2 de abril de 1910, órfão desde os quatro anos, esse mineiro

de Pedro Leopoldo sofreu muito. Sua madrasta o maltratava, enquanto sua mãe

aparecia para consolá-lo. Sem compreender bem o que se passava, Chico pedia
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
socorro à genitora que o animava a prosseguir e prometia ajudá-lo. Ao chegar aos

vinte e dois anos, mais ou menos, chega ao ápice a sua mediunidade, o que

permite aos espíritos escreverem por suas mãos e transmitir idéias que

demonstrem a continuidade da vida e a individualidade do espírito imortal. Em

1932, inaugura a longa série de obras psicografadas, que já ultrapassam

quatrocentas, com um livro de poesias, "Parnaso de Além Túmulo". Nele, poetas

brasileiros e estrangeiros ditam seus poemas, com fidelidade de estilos, o que

permite identificá-los independentemente da assinatura.

A obra provocou impacto na comunidade literária da época, que a

desdenhou. Ao vê-la definida como burla ou mistificação, os mais Iúcidos

concluíram que, ou se aceitava o fenômeno mediúnico ou se daria uma cadeira na

Academia Brasileira de Letras ao jovem Francisco Cândido Xavier, porque ele ou

era médium ou era gênio. Chico nunca mais parou de escrever. E nunca

vulgarizou a mediunidade nem a colocou a serviço de informações convenientes

para si ou para terceiros. Segue fiel aos orientadores espirituais. Quando passou a

receber mensagem de Humberto de Campos, o repórter do além, viu-se envolvido

em processo que contra ele moveu a família do morto. Alegava uso indevido do

nome do ilustre escritor e reivindicava direitos autorais sobre as obras escritas por

Chico e assinadas por Humberto. Nos tribunais, o médium teve ganho de causa.

Direitos autorais somente se paga aos vivos.

A viúva de Humberto de Campos, anonimamente, visita o Centro Espírita

onde Chico Xavier recebia mensagens do além, para observar o que ali se

passava. Nesse ínterim, Chico já havia trocado a assinatura do espírito para Irmão

X, já que durante a encarnação houve coleções onde assinou Conselheiro X.

Ninguém a conhecia. Mas, de repente, Chico Xavier a convida para que se

aproxime, e diz-lhe que seu marido estava presente e mandava um recado.

Corada e duvidando, a senhora se aproxima. O médium lhe fala sobre uma carta

que ela trazia na bolsa e cita textos que o espírito lhe soprava. Emocionada, a

senhora converteu-se ela e toda a família, ao Espiritismo.

Conhecido também é o episódio da revista "O Cruzeiro"; líder na época,

quando jornalistas visitaram o médium (sem se identificarem), tentando criar

situações que o levassem ao ridículo. Ao chegar em suas casas, um dos

repórteres David Nasser, conhecido também como compositor de músicas

populares famosas, abriu o livro ofertado por Chico e ali estava a dedicatória

dízendo: "Ao amigo David Nasser"... Este imediatamente telefonou ao parceiro

dizendo-lhe "prometo nunca mais mexer com essas coisas de Espiritismo. "

Perguntado sobre o episódio, Chico sempre os desculpou, alegando que eles

faziam o trabalho que lhes competia. Ele, Chico, é que teria sido ingênuo, talvez

vaidoso pela reportagem.

Infinitas são as mensagens que esse homem recebe do além há mais de

setenta anos, tendo consolado e convertido à fé espírita, milhares de pais

inconformados com a perda de seus jovens herdeiros. Nessas mensagens, Chico

cita apelidos, tratamentos íntimos, o que evidencia a realidade da comunicação, já
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
que por mais que alguém preparasse a cena para que ele a descrevesse, seria

impossível tamanha fidelidade. Pessoas que chegam à Uberaba anonimamente, e

são tratados por nome. Jocosamente ou não, quem sabe, Chico diz que todos nós

temos o nome na testa. Por isso ele o faz com a maior naturalidade.

Se a mediunidade de Chico Xavier é algo extraordinário, maior ainda é a

sua dignidade. Um médium que teve aceita como prova em um tribunal

mensagem mediúnica de um morto que inocentou o amigo acusado de

assassinato, dando detalhes do ocorrido, dizendo da acidentalidade e da amizade

que entre eles existia, é alguém de muita credibilidade. E o juiz foi de muita

convicção e coragem.

Combatido por padres, pastores e até por segmentos espíritas, por ciúmes

e inveja, ele não se preocupa em rebater as ofensas. Segue no seu caminho de

amor ao semelhante, independente do que o outro lhe faça: bem ou mal. Chico

Xavier já recebeu, como gratidão de pessoas que se sentiram beneficiadas pelo

consolo ofertado por ele, carros, fazendas e outros bens, mas apressou-se em

passar adiante, para quem desse bom proveito. Os direitos autorais de suas mais

de quatrocentas obras, muitas delas vertidas para diferentes idiomas, e não

apenas os conhecidos latinos e saxônios, são todos doados em favor da caridade.

Continua vivendo pobremente, enquanto alguns escritores brasileiros de conteúdo

banal, quando comparados ao dele, estão milionários e têm patrimônios com

luxuosas vivendas no exterior.

Se Francisco Cândido Xavier não é realmente um médium, mas apenas um

noveleiro de idéias avançadas, por que não desfruta esse dom, vendendo o que

produz? Quando usaram seus livros como enredo de novelas, até jornais

americanos o acusaram de estar enriquecendo às custas dos fantasmas. Mas ele

não está rico. Continua pobre, simples e doente. Poderia ter recorrido aos

melhores médicos e hospitais do mundo para controlar ou debelar suas

enfermidades. No entanto, nunca o fez. Quando foi examinado pela NASA, foi

para medir sua aura. Constatou se que a emanação de luz que no homem normal

é de centímetros, no Chico vai a dez metros. Isso não dá para burlar. Como

explicar livros como "A Caminho da Luz" ou "Evolução em Dois Mundos";

totalmente científicos, escritos por um jovem de curso secundário, ex-funcionário

público do governo de Minas Gerais! Como duvidar que ali quem fala é o espírito e

Chico limita-se a escrever o que as entidades ditam! Se Chico Xavier não é um

médium, mas um mistificador, que tudo tira do inconsciente, como afirmam certos

parapsicólogos, é seguramente um ingênuo e tolo. Dedicar-se a essa obra sem

tirar proveito financeiro não é próprio de alguém que tenha vocação para a

maroteira.

Em nosso livro "Modo de Ver, dizemos que ele vive na pobreza, quando

podia ser milionário; na modéstia, envolvido pelos ingredientes que fazem os

orgulhosos; doando-se, quando tinha tudo para exigir o serviço do semelhante.

Esqueceu de si mesmo num mundo onde cada um quer ser o mais importante. Foi

bajulado e não se deixou lambuzar pelo mel da lisonja. Um dia a história lhe fará
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
justiça, porque ele não é patrimônio dos espíritas, mas um benfeitor de toda a

humanidade. Aliás, se bem observarmos, a história já o notou quando o cadastrou

como o "Mineiro do Século"; num Estado que deu Juscelino Kubitischek de

Oliveira, Edson Arantes do Nascimento (Pelé), Tancredo de Almeida Neves,

Alberto Santos Dumont, Carlos Drumond de Andrade, entre inúmeros outros

homens ilustres. Ele não foi escolhido apenas por espíritas, pois estes ainda são a

minoria no Brasil e no Mundo.

Tolos, ingênuos, de pouca sensa são aqueles que duvidam da mediunidade

do extraordinário serviço de amor ao próximo que fez, faz e continua fazendo este

notável homem Francisco Cândido Xavier. Fechados nos seus pequenos mundos,

não têm sensibilidade para compreender a base do Evangelho de Jesus: "Ama o

próximo como a ti mesmo. "

Deus o abençoe e obrigado, amigo Chico Xavier.

Octávio Caúmo Serrano

***

PREFACIO

ESTUDO OPORTUNO E DE ALTO NÍVEL

Acabo de ler o texto em que Célia Urquiza faz uma análise em

profundidade do livro BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO

EVANGELHO, do Espírito Humberto de Campos, psicografado pelo médium

Francisco Cândido Xavier. Como enfatizou ela, no início de seu trabalho , trata-se

de um estudo, cujo objetivo foi apresentar uma leitura do livro acima referido. Célia

Urquiza soube estruturar o seu texto em nível de tese de Mestrado, a que não

faltaram espírito crítico, argumentação lúcida e exegese segura na apreciação da

obra. E vem a grande indagação: o Brasil é mesmo o coração do mundo e a pátria

do Evangelho? A Espiritualidade Maior teve participação direta nos

acontecimentos históricos do nosso país, desde o seu descobrimento até a

Independência ? Jesus esteve presente a esses significativos eventos? Não seria

um privilégio a escolha do Brasil como a nova seara, onde a árvore do Evangelho

encontrara terreno fértil? A escravidão imposta aos africanos, arrancados á força

de suas terras para trabalharem em nossas lavouras teria sido um fato isolado,

sem nenhum comprometimento com o passado? Não estaria aí funcionando a lei

de causa e efeito? A autora do texto responde a essas indagações com muita

lucidez dentro dos ensinamentos da Doutrina Espírita. Usando uma linguagem

clara e simples. Célia Urquiza aborda com muito equilíbrio o tema proposto pelo

livro de Humberto de Campos. O grande personagem de nossa história, o infante

D. Henrique, a quem se diz ser a encarnação de Helil e que andou dialogando

com Jesus a propósito da nossa formação histórica, foi bem ressaltado pela autora

do texto. Mas o Brasil é mesmo a pátria do Evangelho? Persiste a pergunta. Os
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
fatos e as circunstâncias comprovam essa assertiva. O Brasil, cuja configuração

geográfica tem a forma de um coração, é habitado por um povo tradicionalmente

de índole pacífica. Aqui nunca assistimos a guerras de conquista. A nossa

formação étnica deveu-se à miscigenação de três raças: o branco, o negro e o

índio. Enquanto no resto do continente houve fragmentação, o nosso país

manteve sua integridade territorial.

Portugal, um país pequeno e desarmado, soube defender nosso território

das invasões de países muito melhor armados, a exemplo da França e da

Holanda. Como explicar o "milagre"? O nosso próprio chão jamais se rebelou. Não

temos, aqui, maremotos nem terremotos. Todos esses argumentos foram bem

aduzidos por Célia Urquiza. Tiradentes, o mártir da Independência, teria sido um

inquisidor em vidas passadas? Mas o seu trabalho não se limita ao texto do livro.

Ela ampliou o seu estudo, traçando uma panorâmica do movimento espírita no

mundo, desde o fenômeno mediúnico das Irmãs Fox, passando por Kardec e

desembocando na Bahia, berço da nossa nacionalidade e onde surgiu o primeiro

centro espírita e o primeiro jornal anunciador da nova e consoladora Doutrina,

importada da França. A Bahia de todos os santos se transformou, assim na Bahia

de todos os credos religiosos. Célia Urquiza não se esqueceu da Federação

Espírita Brasileira, a Casa Máter do Espiritismo, que com o seu REFORMADOR,

órgão da instituição, vem divulgando a Doutrina Consoladora, sem esquecer a sua

editora, a quem devemos a multiplicação de livros, em sua maioria psicografados

pelo lápis humilde de Francisco Cândido Xavier.

Repetindo: o Brasil é a pátria do Evangelho? A autora do texto responde

sem tergiversar: o nosso país ainda não é a Pátria do Evangelho. Tal resposta não

discrepa da afirmação de Humberto de Campos. Um dia, o nosso país será um

modelo de espiritualização, no mundo. Como diz o poeta paraibano Eudes Barros,

num inspirado poema, Jesus aqui será crucificado numa cruz de estrelas. Vale a

pena encerrar nosso comentário com esta significativa frase de Célia Urquiza:

"Fazemos parte de um concerto onde cada nação é uma nota na Sinfonia Divina."

Uma visão cósmica e holística da vida.

Carlos Romero

***

A MISSÃO DO BRASIL COMO PÁTRIA DO EVANGELHO.

CAPÍTULO I - BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PATRIA DO

EVANGELHO.

O Espírito Humberto de Campos, no seu livro psicografado por Chico

Xavier e que tem como título estas palavras: "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do

Evangelho", nos afirma que Jesus transportou a árvore do Evangelho, da

Palestina para o Brasil. Por que Jesus fez isso? Terá sido privilégio nosso? O que

fizemos para merecê-lo? Se não foi privilégio, o que aconteceu, para que essa

árvore plantada inicialmente na Palestina, não permanecesse lá, e viesse para cá?
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
Esta afirmação do autor espiritual, nos leva a uma série de indagações. Façamos

um estudo sobre elas. É possível que as respostas surjam no decorrer do mesmo.

Todos nós sabemos que Jesus é o Espírito a quem foram confiados os

destinos do nosso Planeta. É aquele que foi por Deus enviado, com a missão de

ser o Pastor das ovelhas aqui existentes; e como Pastor desse rebanho, Ele nos

conduz, cuidando para que nenhuma se perca. Foi para isso, então, que Ele veio

um dia à Terra, assumiu um corpo semelhante ao nosso; conviveu conosco,

tornando-se visível e tangível. A sua vinda foi em cumprimento à sua missão. Veio

nos apontar o caminho que devemos trilhar, para que um dia, ao devolver esse

rebanho ao Pai, Ele possa dizer que das ovelhas que lhe foram confiadas,

nenhuma se perdeu.

Inicialmente, foi a Palestina, a Terra escolhida para espalhar a semente do

seu Evangelho. Mas, grande número dos que ali habitavam, estavam dominados

pelo orgulho, pela ambição, pela sede de poder e grandezas, a ponto de não o

aceitarem como o Messias Prometido, só por não ter nascido no seio da nobreza.

Ele se apresentou ao Mundo, como filho de um humilde carpinteiro. Ali, as suas

lições tiveram pouco eco. Poucos o ouviram e poucos O seguiram. Então, Ele

escolheu outra Terra, para novamente semear o Seu Evangelho. Não havendo

eco na Palestina, Jesus escolheu o Brasil para porta-voz das Suas lições.

Fomos nós os escolhidos, mas, não por privilégio. Por missão. Foi-nos

confiada a tarefa de aprender, vivenciar, e espalhar os seus ensinamentos. Então.

repetiu-se no Brasil, o que aconteceu na Palestina, quando se aproximou o

momento da Sua vinda. Houve naquela ocasião, todo um preparo, para o bom

êxito do Seu nascimento, da Sua permanência ali, naquela época. Uma série de

cuidados foi tomada. Uma grande equipe espiritual, justamente aquela que mais

diretamente executa as Suas ordens, cuidou para que tudo acontecesse na forma

mais perfeita. Sob a inspiração dos espíritos superiores, os profetas anunciaram;

os precursores prepararam os caminhos e tudo foi cuidadosamente planejado e

executado. No Brasil, aconteceu o mesmo. Verificando o nosso Mestre que havia

chegado a época para transplantar a sua árvore, tendo já escolhido a Terra que

iria recebê-la, mais uma vez uma grande equipe espiritual foi convocada. Não se

tem conhecimento, mas, é possível que tenha sido a mesma que tudo fez na

Palestina; e tomou todos os cuidados para que novamente, tudo saísse a

contento. Essa equipe cuidou da nossa Terra a partir da forma geográfica,

semelhante a um coração; cuidou também da sua estrutura. Aqui, não temos as

grandes catástrofes, tais como: terremotos, vulcões, maremotos, furacões,

ciclones. Isso foi privilégio nosso? Não, pois Deus não privilegia ninguém. Em

nenhum ponto merecemos mais que os nossos irmãos de outras Terras que

sofrem essas calamidades.

Tudo isso foi porque esta Terra se transformaria mais tarde na Pátria do

Evangelho e como tal, faziam-se necessários todos esses cuidados, para que o

seu povo, não estando às voltas com as grandes catástrofes, pudesse se dedicar

mais à árvore que para cá seria transportada. Cuidou também da formação do

nosso povo. Não viemos de um povo orgulhoso, prepotente, elitizado. Somos o

resultado da união de três raças sofridas. Somos a miscigenação do branco
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
injustiçado, muitos dos portugueses que para cá vieram, banidos do seu país,

eram inocentes, não mereciam aquela punição; do negro escravizado e do índio,

ser em primário estágio evolutivo. Somos o resultado da união dessas três raças e

de cada uma delas temos características. Do branco injustiçado temos a

inquietação diante da injustiça; do negro escravizado temos a submissão, a

aceitação da dor, do sofrimento; e do índio temos a indomabilidade.

Por que tudo isso? A resposta é muito simples. Porque nada ensina mais a

amar e a perdoar, do que a dor e o sofrimento. Também porque, só nascendo

dessa simplicidade é que o povo brasileiro poderia ser o que é: sentimental,

solidário, amigo, como nenhum outro no mundo. Na Palestina, Jesus iniciou, a

Sua vida pública, com o "Sermão da Montanha", dizendo: "Bem-aventurados os

que choram, porque serão consolados; (...) Bem-aventurados os que têm fome e

sede de justiça, porque serão saciados; (...) Bem-aventurados os puros de

coração, por que verão a Deus". (Kardec - 1992)

O branco inocente, banido injustamente do seu país, e o negro arrancado à

força do seu berço, representam os que choram e os que têm fome e sede de

justiça; o índio representa os puros de coração. Somos o resultado da união dos

injustiçados, dos que choram e dos puros de coração. No Brasil, Jesus nos

apresentou também o "Sermão da Montanha", o Seu grandioso e mais belo

sermão através da formação do nosso povo, mostrando dessa forma que estava,

realmente, replantando a árvore do Seu Evangelho. Humberto de Campos no seu

livro, nos faz um relato do nascimento do Brasil. Não um relato histórico. Ele

apresenta o aspecto espiritual desse fato. Ele fala das providências tomadas,

desde muito antes da viagem de Cabral e, à medida que mostra o trabalho e o

cuidado dos Espíritos que acompanharam e participaram de cada episódio, nos

esclarece também sobre a missão evangélica do Brasil. O seu relato é muito cheio

de beleza e poesia. Em muitas ocasiões, ele nos mostra o diálogo de Jesus, no

mundo espiritual, com os Seus mensageiros, à medida que vai traçando planos e

tomando decisões, quanto ao nosso destino de filhos da Pátria do Evangelho.

Logo no início, ele nos conta que Jesus, numa das suas visitas espirituais a este

Planeta, encaminhou-se ao continente que seria mais tarde o mundo americano, e

quando contemplou as maravilhas dessa terra onde resplandece o cruzeiro do sul,

e que seria o Brasil, erguendo as mãos para o Alto, invoca a bênção do Pai, e

dirigindo-se a um dos Seus mensageiros, exclama: -Para esta terra maravilhosa e

bendita, será transplantada a árvore do Meu Evangelho de piedade e de amor, (...)

e Tu Helil, te corporificarás na Terra, no seio do povo mais pobre e mais

trabalhador do Ocidente; instituirás um roteiro de coragem, para que sejam

transpostas as imensidades desses oceanos perigosos e solitários, que separam o

Velho do Novo Mundo (...)

Aqui, Helil, sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o

coração do mundo". (Xavier, 1996 p23e24) Algum tempo depois, no ano de 1 394,

como filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, reencarna em solo português,

Helil, que ficará conhecido na História Universal como o heróico Infante de Sagres;

aquele que foi o grande responsável pelos descobrimentos portugueses. Quando

o Rei D. João I subiu ao trono, Portugal estava numa situação econômica

desesperadora. Todo o poder econômico estava de posse da Igreja e o Rei não
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
podia desenvolver o País. Então, para de alguma forma alterar a situação, sem

entrar em conflito com o poder religioso, nomeou os seus filhos, responsáveis por

cada Ordem Religiosa, e foi assim, que o Infante D. Henrique foi nomeado o Grão

Mestre da Ordem de Cristo. Essa Ordem era secular e muito rica, tanto em

dinheiro, como em informações históricas, e isso levou o Infante de Sagres a

tomar conhecimento de antigos manuscritos, ali guardados, que falavam de outros

povos e as rotas dos povos antigos.

Os recursos ali existentes, que não eram poucos, pois era uma das Ordens

mais ricas do País, o Infante utilizou na construção de navios, na contratação de

astrônomos, matemáticos, engenheiros navais e outros homens de saber, para

dar início ao seu grande sonho que era, como ele próprio dizia: "levar o mundo a

navegar por mares nunca dantes navegados". Hoje, sabemos ter sido esta a sua

missão Foi dessa forma que se iniciaram os descobrimentos. Foi assim que o

nosso Helil, o nosso Infante de Sagres cumpriu a sua missão. "Os descobrimentos

brotaram da sua vontade, quando os contemporâneos o remordiam de censuras

por este afinco nas pesquisas do Atlântico. Triunfou. E se Portugal varou de

pasmo a Europa, ganhando as honras de nação benemérita dos povos modernos,

os primeiros e os mais decisivos impulsos eram do Infante Dom Henrique". (Bérni,

p. 60) Humberto de Campos na sua obra, informa que o Infante D. Henrique, por

várias vezes deixou transparecer que tinha a certeza da existência de terras, ainda

desconhecidas. Era como se ele fosse às vezes, assaltado por lembranças que

lhe davam essa segurança.

Hoje sabemos que essas lembranças vinham do fato dele já ter estado

aqui, antes deste seu reencarne, e foi na nossa Terra, ainda desconhecida, que

ele recebeu do Mestre a missão que soube tão bem desempenhar. Uma prova

disso é que um mapa traçado em 1448, por André de Bianco, mencionava uma

região fronteira à África. Não era, portanto, desconhecida dos navegadores

portugueses a existência dessas terras.

Desencarnando em 1460, D. Henrique de Sagres volta à Pátria Espiritual e,

no além, o mensageiro do Mestre continua a trabalhar na causa do Evangelho.

Por inspiração sua, diversas expedições são organizadas, e sob a sua influência é

descoberta a Costa de Angola; mais tarde, Vasco da Gama descobre o caminho

marítimo das Índias, e algum tempo depois, Gaspar de Corte Real descobre o

Canadá. Todos os navegadores saem de Lisboa com instruções secretas quanto à

terra desconhecida.

Percebe-se claramente a preocupação do autor espiritual em nos chamar a

atenção para vários pontos importantes. São eles: Os planejamentos da

Espiritualidade Superior; O infante D. Henrique, encarnação do Espírito Helil, foi

um emissário de Jesus. Como Espírito de elevada hierarquia, permaneceu adstrito

ao cumprimento da tarefa que lhe fora atribuída. D.Henrique, instituiu um roteiro

de coragem, para que fossem transpostas as imensidades perigosas e solitárias

que separavam os dois mundos Por predestinação de Jesus, o nosso Brasil é o

Coração do Mundo e Pátria do Evangelho, com a árdua, mas nobre tarefa de

espalhar, principalmente com o exemplo, a mensagem do Cristo. (Bérni, op. cit. p

68) que: A preocupação do autor espiritual era nos mostrar que nada aconteceu
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
por acaso. Tudo foi fruto de um cuidadoso planejamento; o Infante D. Henrique,

encarnação do espírito Helil, foi um emissário de Jesus, como também não deixa

nenhuma dúvida quanto à sua missão; a sua afirmação de que Helil é um Espírito

de elevada hierarquia, é a confirmação do que foi dito por Zurara, navegador e

historiador português, quando em uma de suas crônicas, retrata o Infante de

Sagres como "um homem de extraordinárias virtudes. Nunca foi avarento, nem era

dado ao luxo. Usava gestos calmos e palavras suaves. Sempre foi muito dedicado

ao trabalho. Não era rude, mas sabia manter a disciplina. Absteve-se de álcool

desde a mocidade".

Ainda temos: "O terceiro filho de Dom João 1 e de Dona Filipa (...) poderia

viajar de Corte para Corte como o irmão Dom Pedro, mas recusou todas as

ofertas da Inglaterra, da Itália e da Alemanha, e escolheu a vida de um estudioso e

de um homem de mar, retirando-se cada vez mais do mundo conhecido para

descobrir o desconhecido". (Beazley, 1945, p. 135).

Era como se ele estivesse a todo momento dizendo ao mundo que sabia

qual a sua missão e tinha pressa em cumpri-la. Ao escolher o Brasil para

transplantar a árvore do Evangelho, Jesus nos deu a missão de transmitir ao

mundo a Sua mensagem; mas com a Sua conduta, vivenciando tudo aquilo que

ensinava, mostrou também como Ele deseja que essa missão seja cumprida: com

o exemplo.

CAPÍTULO II - DESCOBRIMENTO DA TERRA DE VERA CRUZ

No dia 9 de março de 1500, partindo do rio Tejo, fez-se ao mar a grande

esquadra de Cabral, com destino às Índias. A frota era constituída de treze navios,

algumas caravelas e duas embarcações, conduzindo a bordo cerca de 1 .200

participantes. Já em alto mar, Cabral pensa no seu desejo de alcançar a terra

desconhecida do hemisfério sul, criando assim a sintonia necessária com os

planos do mundo invisível. Henrique de Sagres aproveita essa oportunidade, e,

sob a sua influência, as noites de Cabral são repletas de sonhos reveladores e,

sob o impulso de uma orientação imperceptível, as caravelas abandonam o

caminho das Índias.

Há em todos uma angustiosa expectativa, mas a assistência espiritual lhes

traz ânimo e esperança. Algum tempo depois, notam-se nas ondas folhas, flores e

perfumes. Eram os primeiros sinais de terra próxima. Horas depois, Cabral e sua

gente são recebidos como irmãos, na praia extensa e acolhedora, pelos

habitantes dessa Terra. Estava descoberta a Terra que seria um dia o Coração do

Mundo, Pátria do Evangelho.

Continuando o seu relato, o espírito Humberto de Campos nos fala de

acontecimentos completamente ignorados pela história humana. Conta-nos que,

enquanto Cabral adentrava à terra descoberta, conhecendo a sua gente, as suas

riquezas, no Mundo espiritual reinava uma alegria intensa em todos aqueles que

participaram do advento da Pátria do Evangelho.
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
Dias após, o Mestre Jesus fazendo-se presente à uma das assembléias

espirituais, dirigindo-se a outro dos Seus elevados mensageiros, falou com

doçura: - "Ismael, doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que

constituem a Terra do Cruzeiro. Recebe-a nos teus braços de trabalhador

devotado da minha seara, como a recebi no coração, obedecendo a sagradas

inspirações do Nosso Pai (...) Para aí transplantei a árvore da minha misericórdia

e espero que a cultives com a tua abnegação e com o teu sublimado heroísmo..."

(Xavier Francisco Cândido, op. cit.1996) Ismael é um nome bastante conhecido no

mundo espírita. Ele é o Guia Espiritual do Brasil, e conforme afirma Humberto de

Campos, essa missão ele a recebeu diretamente de Jesus. O seu lema é: "DEUS,

CRISTO E CARIDADE".

Conta ainda o autor espiritual que, nesse mesmo instante, a frota de Cabral

abandona as águas da Baía de Porto Seguro, continuando a sua viagem, e na

praia, choram desesperadamente, dois dos vinte párias sociais condenados ao

exílio. Enquanto os homens do mar se afastavam levando amostras das riquezas

encontradas na nova terra, os dois infelizes se lastimavam sem consolo e sem

esperança. De repente, um dos condenados avança para uma frágil embarcação

indígena, que nenhuma proteção oferecia, e se faz ao mar. "Seus olhos inchados

do pranto, contemplam as duas imensidades, a do céu e a do mar, e esperando

na morte o socorro bondoso, exclama: -"Jesus, tende piedade! Sou inocente,

Senhor, e padeço a tirania da injustiça dos homens. Enviai a morte ao meu

espírito." ( Xavier, Francisco Cândido, op. cit. 1996, p 39) Nesse instante, sente

que uma luz estranha lhe nasce no íntimo,e uma esperança se apossa de sua

alma, e como por milagre, a frágil e rústica embarcação, que sob o seu impulso,

momentos antes, navegava rumo ao infinito, inesperadamente passa a navegar

em sentido contrário, regressando celeremente à praia distante. O furor das ondas

não foi suficiente para arrebatá-la. Uma força misteriosa a conduz em segurança à

terra firme. Afirma-nos o autor espiritual que, salvando esse nosso irmão infeliz,

desesperado, buscando a morte, Ismael realiza o seu primeiro trabalho nas Terras

do Cruzeiro, em favor daqueles que acabara de receber sob a sua proteção.

Esses nossos irmãos, que para cá vieram banidos injustamente do seu país, eram

inocentes naquela existência.

Porém, por culpas do passado mereciam o castigo que receberam. Se eles

cumpriram o seu resgate, vivendo as experiências da humilhação, da dificuldade,

da opressão e da dor, com certeza foi porque foi nesse ponto que eles infringiram

a Lei Divina. É a Lei do Retorno, a Lei de Causa e Efeito. É o conhecimento dos

atributos divinos que nos dá esta certeza. Deus é a Justiça Infinita, e nessa

condição, toda ofensa à Sua Lei é merecedora de resgate.

Capítulo III - A ESCRAVIDÃO NO BRASIL.

Durante três longos séculos, o Brasil viveu a página negra da escravidão. É

comum se atribuir esse acontecimento lamentável ao fator econômico. Acreditam

que só a necessidade de braços para a lavoura foi a responsável pela vinda do

negro africano para o Brasil. Realmente, o braço cativo foi o propulsor da
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
economia brasileira e também de outros países. Mas, não podemos esquecer que

a ação espiritual, mesmo respeitando o livre arbítrio, está sempre presente em

cada momento da nossa existência.

O Espírito Humberto de Campos, no seu livro, nos fala de um encontro de

Ismael com o Divino Cordeiro, onde o nosso querido mensageiro e protetor expõe

a sua tristeza diante dos quadros de sofrimento e dor presenciados na nova Terra.

A civilização que ali se inicia, com um objetivo tão grandioso, deixa-se contaminar

por exemplos lamentáveis apresentados em outras terras, e aderindo ao tráfico de

escravos, faz-se ao mar e vai buscar nas terras longínquas da Luanda, da Guiné e

de Angola, negros indefesos. Arranca-os da sua pátria, transporta-os como

verdadeiros animais e, aqui chegando, vende-os como "peças" contadas,

tributadas, sem nenhum respeito à sua condição humana. O Divino Mestre, então

lhe responde brandamente: " - Ismael, asserena teu mundo íntimo nos sagrados

deveres que te foram confiados. Bem sabes que os homens têm responsabilidade

pelos seus atos. (...) Não podemos tolher-lhes a liberdade, mas também não

devem esquecer que cada qual receberá de acordo com os seus atos. Havia eu

determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do Planeta,

buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas. (...) Para

isso aproximei Portugal daquelas raças sofredoras, sem violência de qualquer

natureza.

A colaboração africana deveria, pois, verificar-se sem abalos, sem

sofrimentos, conforme as minhas amorosas determinações. O homem branco da

Europa, porém, desejando entregar-se ao prazer fictício dos sentidos, procura

eximir-se do trabalho pesado da agricultura, (...). Eles terão a liberdade de

humilhar os seus irmãos, em face do livre arbítrio, (...) mas, os que praticarem o

nefando comércio sofrerão também o mesmo martírio. (Xavier, Francisco Cândido,

op. .cit pp. 50-51) Vemos aqui, que a vinda do negro africano para o Brasil fazia

parte dos planos traçados para a nossa Terra, mas tudo deveria acontecer sem

violência. A crueldade com que eles foram arrancados da sua pátria e o

tratamento monstruoso que aqui receberam, sendo escravizados e torturados,

foram conseqüência da ambição, do abuso do poder e da falta de conhecimento

de que somos todos filhos do mesmo Pai, logo somos irmãos; somos iguais.

Esses nossos irmãos africanos, vindos para o Brasil, eram entidades sofredoras

que, em outras existências, evoluíram apenas pela ciência. Evoluíram só

intelectualmente, mas eram pobres de humildade e de amor. Através da Lei de

Reencarnação, renasceram nas Terras da África e, de lá, vieram para o árduo

trabalho na Terra do Cruzeiro. Foram eles que abriram caminhos na terra virgem,

sustentando nos ombros feridos o peso de todos os trabalhos, conquistando assim

o sentimento de humildade e amor que lhes faltava.

Conforme Berni (1994), Emmanuel, em sua cartilha "Pensamento e Vida",

assim nos esclarece.: " - Já se disse que duas asas conduziram o espírito dos

humanos à presença de Deus. Uma chama-se amor, a outra, Sabedoria. Através

do amor, valorizamo-nos para a vida. Através da sabedoria, somos pela vida

valorizados. Daí o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade".
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
Os filhos da África foram humilhados e torturados na Terra que seria um dia

a Pátria do Evangelho; mas com seu sacrifício, e com as suas lágrimas (que

também tinham uma razão, pois não se paga sem dever), tornaram-se

instrumentos do Mestre Jesus, na obra em prol do Evangelho, pois, com o seu

trabalho, constituíram-se num dos baluartes da nacionalidade em todos os tempos

e, enquanto isso, reabilitavam-se com a Lei Divina que foi por eles um dia

infringida.

Diz ainda o Mestre Jesus a Ismael: " Infelizmente Portugal, que representa

um agrupamento de espíritos trabalhadores e dedicados (...) não soube receber as

facilidades que a misericórdia do Supremo Senhor do Universo lhe outorgou

nestes últimos anos (...).Na velha península já não existe o povo mais pobre e

laborioso da Europa. O luxo das conquistas lhe amoleceu as fibras criadoras (...)

não nos é possível cercear o livre arbítrio das almas, poderemos mudar o curso

dos acontecimentos, a fim de que o povo lusitano aprenda, na dor e na miséria, as

lições sagradas da experiência e da vida. (Xavier, Francisco Cândido,1996, p 52 -

53)

Na formação da Pátria do Evangelho, o homem branco, com sua

independência e sua ambição, alterou os fatores; no entanto, Jesus alterou os

acontecimentos. É a História que nos conta o que aconteceu mais adiante.

Os donatários sofreram os mais tristes reveses no solo brasileiro: Os índios

Tupinambás e Tupiniquins (...) que, com expressões de fraternidade, receberam

Cabral quando aqui aportou pela primeira vez, reagiram contra os colonizadores e

travaram-se lutas cruentas.

A luxuosa expedição de João de Barros que saiu de Lisboa com intenção

de conquistar o ouro dos Incas, dispersou-se no mar, sofrendo os seus

componentes infinitos martírios. Os tesouros das Índias levam o povo português à

decadência e à miséria.

A Casa de Avis, sob cujo reinado se iniciou o tráfico hediondo dos homens

livres, desaparece para sempre e por fim, Portugal entrega-se ao domínio

Espanhol. (Xavier, Francisco Cândido, 1996 p.53 - 54). Estas informações nos

levam a supor que nada disso teria acontecido se os colonizadores tivessem agido

de modo diferente. Ninguém foge à Lei de Causa e Efeito.

Apesar de tão doloroso capítulo na nossa história, a escravidão obedeceu

rigorosamente ao critério da Lei de Causa e Efeito. Há, porém, um ponto a

observar: mesmo sendo uma página triste e vergonhosa na nossa história, é

forçoso reconhecer que a escravidão no Brasil não trouxe aos negros apenas

sofrimentos. Tiveram um final feliz. A vida dos negros regulariza-se, a saúde se

refaz trazendo-lhes a alegria de viver e muitos deles são gratos aos novos

senhores, que eram melhores que os da África e os do mar.
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
Em Bérna, Duílio Lena, na obra "Brasil, Mais Além", encontramos: "Não é

nosso intento fazer apologia da escravidão, cujos terrores principalmente

macularam o homem branco e sobre ele recaíram. Mas a escravidão no Brasil foi

para os negros a reabilitação deles próprios e trouxe para a descendência deles

uma pátria, a paz e a liberdade e outros bens que pais e filhos jamais lograriam

gozar, ou sequer entrever no seio bárbaro da África". (op. cit. p. 108) "Na Pátria do

Evangelho, têm eles sido estadistas, médicos, artistas, poetas e escritores (...) em

nenhuma outra parte do planeta alcançaram ainda a elevada e justa posição que

lhes compete, como acontece no Brasil." (op. cit. p. 117).

Foi com essa tarefa expiatória, sofrendo os mais extraordinários sacrifícios,

que cumpriram o seu resgate. E mais tarde, no Quilombo dos Palmares, deramnos

o exemplo de resistência e perseverança, onde por mais de setenta anos

lutaram com heroísmo, defendendo o território por eles conquistado.

CAPÍTULO IV - INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Estamos no reinado de D. Maria I, a Piedosa, a qual, escravizada ao seu

fanatismo religioso e ás opiniões dos seus confessores, fazia Portugal caminhar

para a ruína e a decadência. Era muito preocupante a situação do Brasil. A

capitania de Minas Gerais era, na época, a maior fonte de riquezas da Colônia,

com as suas minas de ouro e diamantes, o que a tornava o alvo dos ambiciosos.

Todos queriam se apossar das suas riquezas. Os padres queriam o ouro para as

suas Igrejas suntuosas. Os magistrados queriam a todo custo enriquecer antes de

voltar para Portugal; e os agentes do fisco cumpriam rigorosamente as ordens da

corte de Lisboa, que era naquela época uma fonte onde os parasitas da nobreza

iam sugar pensões extraordinárias e fabulosas.

Anuncia-se a "derrama"; isto é, cobrança atrasada do imposto do ouro. Em

Minas, os brasileiros consideram a gravidade da situação e, achando que o Brasil

já tem condições de reger seus próprios destinos, começam a traçar os planos da

libertação. Reúnem-se, em Vila Rica, vários nomes já muito conhecidos.: Inácio

Alvarenga, Joaquim José da Silva Xavier – O Tiradentes - Cláudio Manoel da

Costa, Tomaz Gonzaga e outros. As primeiras providências consistiam em infiltrar

as idéias de liberdade nas outras Capitanias. Procuram então os nossos irmãos de

Pernambuco e de São Paulo, e pedem também o apoio do embaixador da

América do Norte em Paris. Mas, nem o embaixador em Paris nem as Capitanias

de Pernambuco e São Paulo se interessaram pela idéia. É nesse momento que

surge a figura de Joaquim Silvério dos Reis, o qual leva todo o plano ao Visconde

de Barbacena, português que, naquela época, ocupava o cargo de Governador de

Minas Gerais. Querendo fazer morrer as idéias de liberdade, na sua fonte, o

Governador manda imediatamente prender Tiradentes, que se achava no Rio de

Janeiro, e também os elementos da conspiração em Vila Rica. Todos são

condenados à morte, porém, mais tarde, D. Maria I muda as penas de morte em

degredo perpétuo, com exceção de Tiradentes que teria de morrer na forca e seu

corpo esquartejado e exposto em praça pública. Conta-nos Humberto de Campos

que o mártir da Inconfidência, num gesto de heroísmo, sente uma alegria sincera

pela expiação cruel que só a ele fora reservada e entrega o espírito a Deus no dia
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
21 de abril de 1792 e que, imediatamente após a execução, no momento exato do

seu desencarne, Ismael o recebe carinhosamente, dizendo-lhe: " - Irmão querido,

resgatas hoje os delitos que cometestes quando, no passado, fostes um cruel

inquisidor. (...) Regozija-te pelo desfecho dos teus sonhos de liberdade. (...). Se o

Brasil se aproxima da maioridade como nação, ao influxo do amor divino, será o

próprio Portugal quem virá trazer até ele os elementos da sua emancipação

política, sem ser ás custas do derramamento do sangue fraterno". ( Xavier,

Francisco Cândido, 1996 p.122) A seguir, foi ele transportado por espíritos

superiores que não lhe permitiram assistir à cena do esquartejamento. Daí a

alguns dias, a rainha d. Maria I enlouquecia, ferida pelo remorso. Ela havia sido

uma rainha muito cruel. Com muita freqüência e tranqüilidade, assinou várias

sentenças de morte.

Daí por diante, os brasileiros não têm outro pensamento a não ser a

Independência, mas o predomínio dos portugueses, desde a Bahia até o

Amazonas, representava sério obstáculo. Os mensageiros de Ismael se

multiplicavam em todos os setores visando conciliar a todos, com a finalidade de

preservar a unidade territorial do Brasil. A equipe espiritual se reúne no Colégio de

Piratininga, sob a direção de Ismael.

Ali se encontram heróis das lutas maranhenses e pernambucanas, mineiros

e paulistas. Nessa ocasião, Ismael dirige a todos a sua palavra cheia de

ponderação e ensinamento, e encerra a sua alocução, dirigindo-se a Tiradentes,

dizendo: " - O nosso irmão martirizado há alguns anos pela grande causa ,

acompanhará D. Pedro em seu regresso ao Rio e, ainda na terra generosa de São

Paulo, auxiliará o seu coração no grito supremo da liberdade". ( Xavier, Francisco

Cândido, 1996 p.158). Conforme a promessa de Ismael a Tiradentes no momento

supremo do seu sacrifício, alcançamos a Independência, sem o derramamento de

sangue. Bastou um grito às margens do Ipiranga: "INDEPENDÊNCIA OU

MORTE". Tivemos a Independência, mas não tivemos a morte. Informa-nos ainda

o autor espiritual que, quando D. Pedro dava o grito que nos tornava uma nação

livre, não suspeitava que naquele momento ele era um dócil instrumento de um

emissário invisível, que velava pela grandeza da nossa pátria: o nosso mártir e

herói TIRADENTES.

CAPÍTULO VI - O MOVIMENTO ABOLICIONISTA

Em todas as outras nações do continente americano, a escravidão já havia

sido abolida. Só nós os brasileiros ainda não havíamos arrancado esta página

negra da nossa história. Os primeiros passos já haviam sido dados: "A Lei do

Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários". D. Pedro II acompanhou com muito

agrado as deliberações de sua filha, na extinção gradual do cativeiro, mediante

processos pacíficos. As equipes espirituais de Ismael contavam com

colaboradores devotados no Brasil: Castro Alves, Rio Branco, Luís Gama, José do

Patrocínio e outros, além da Princesa Isabel, é claro, que viera ao mundo com a

sua tarefa definida no trabalho abençoado da abolição. Foi assim que, sob a

influência dos mentores espirituais da Pátria, no dia 13 de maio de 1888, a

Princesa Isabel recebe dos abolicionistas a proposta de lei para a imediata
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
extinção do cativeiro no Brasil, a que foi por ela sancionada sem nenhuma

hesitação. Estava acabada a escravidão na Pátria do Evangelho. Pela grande

lição que encerra, merece anexar a este estudo a mensagem psicofônica

transmitida em: (XAVIER, Francisco Cândido. s/d. p. 53).

Bem mais tarde, em 13 de maio de 1954, o nosso querido médium Chico

Xavier recebe uma comunicação psicofônica de uma entidade que se identificou

apenas com duas letras "J.P.", contando que, numa ocasião em que participou de

uma reunião na Câmara de Vereadores, reagiu colérico às propostas

abolicionistas apresentadas naquela ocasião. Chegando em casa, veio a saber

que o inspirador daquelas propostas foi um seu escravo de nome Ricardo, muito

inteligente, culto, falava fluentemente o francês, e que era por ele tratado com

muita deferência, até mesmo com estima. A sua revolta o fez punir cruelmente o

escravo. Diz ele na sua mensagem: "Reuni minha gente para as pancadas - triste

é recordá-las! - dilaceraram-lhe o dorso nu, sob meus olhos impassíveis. O

sacrifício prosseguiu com o esmagamento dos pés e das mãos". Falou então do

remorso que o consumia cruelmente, após o seu desencarne e que lhe doíam

muito mais do que os açoites que o escravo Ricardo recebeu no seu dorso.

Continuando, ele diz o que lhe aconteceu no mundo espiritual, em meio ao

sofrimento que o angustiava . " Em dado momento, ouço uma voz: Meu filho, Com

imensa emoção, encontro-me nos braços de Ricardo, nele identificando meu

próprio pai. (... ) desprendi-me dos seus braços carinhosos e busquei a sombra a

fim de chorar o remorso que meu pai, meu amigo, meu escravo e minha vítima,

não poderia compreender" Percebe-se claramente que Ricardo, o seu antigo

escravo, havia sido o seu próprio pai em existência anterior. Continua ele a sua

mensagem: "Após tantos anos de inquietação, percebi, assombrado, que meus

pés e minhas mãos estavam retorcidas. (...)"

Nessa mensagem, o nosso irmão comunicante nos fala do seu próximo

reencarne e deixa perceber o defeito físico de que será portador.

Amigos, eis que nos achamos em 13 de maio de 1954. Para minha alma , a

luz não tarda! A luz do renascer.

Encontramos neste depoimento, a explicação para as deformidades de

nascença. Geralmente, casos que, por falta de conhecimento, são julgados como

crueldade de Deus, nada mais são que conseqüências de erros do passado.

CAPÍTULO VII - O SÉCULO XIX.

O século XIX, entre outros acontecimentos, nos trouxe o Consolador

prometido por Jesus. Façamos aqui um parêntese, a fim de falarmos um pouco

sobre o Consolador que Jesus um dia nos prometeu. Logo após, voltaremos ao

relato dos fatos. Para falar no Consolador, é bom voltar no tempo e no espaço.

Voltemos à Palestina, quando Jesus, vendo aproximar-se o seu retorno para a

espiritualidade, assim falou: "Se vós me amais, guardai meus mandamentos e eu
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho
rogarei a Meu Pai e Ele vos enviará um outro Consoladora fim de que permaneça

eternamente convosco.

(...) o Consolador, que é o Santo-Espírito que o Pai enviará em meu nome,

vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo aquilo que vos tenho dito"

- (João, cap. XlV, v. 15 - 17). Pouco tempo após essa promessa, Jesus volta ao

Mundo Espiritual e 40 dias depois, estando Maria, Sua Mãe, no Cenáculo, em

companhia dos discípulos, de repente surgem, como se fossem línguas de fogo

que se distribuíam pelos discípulos, que a partir daí começam a falar vários

idiomas diferentes e falam também das grandezas de Deus. Lembrando as

palavras de Jesus, prometendo que mandaria um Consolador, as pessoas,

naquela época, (ainda hoje há quem pense assim), julgaram que aquele

acontecimento, que ficou conhecido como a vinda de Pentecostes, era o

Consolador que chegava. Mas hoje, não há mais razão para se pensar assim,

pois, conforme disse o próprio Jesus, o Consolador teria que atender a duas

condições: esclarecer tudo aquilo que naquela época, em virtude da pouca

evolução espiritual, as pessoas não tinham condições de entender; lembrar tudo o

que havia sido esquecido. Ao que se sabe, a vinda de Pentecostes não fez

nenhum esclarecimento a respeito dos ensinamentos de Jesus. Os discípulos

continuaram a pregar os evangelhos como vinham fazendo, não acrescentando

nada de novo, e também, como fazia pouco tempo da volta de Jesus para a Pátria

espiritual, os seus ensinamentos eram ainda muito recentes, nada havia sido

esquecido. Logo, temos todas as razões para afirmar que a vinda de Pentecostes

não foi a vinda do Consolador prometido por Jesus; e ao mesmo tempo, temos

todas as razões para afirmar que o Espiritismo é realmente o Consolador

prometido, pois ele é o único que atende às duas condições impostas por Jesus,

na ocasião da Sua promessa. O Espiritismo esclarece tudo aquilo que naquela

época não se tinha condições de entender e nos lembra tudo o que, no decorrer

dos séculos, foi caindo no esquecimento.

Que ensinamentos foram esses, que naquela época não foram entendidos?

Reencarnação. Quando Jesus disse a Nicodemos "-em verdade, em

verdade, vos digo: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo"

(João, 3: 1 a 12) as Suas palavras não foram bem entendidas. Ainda hoje,

algumas pessoas acreditam que, naquela ocasião, Jesus se referia ao batismo.

Mas Nicodemos compreendeu o sentido em que Jesus falou; tanto é que ele

perguntou: Como pode um homem já velho voltar a entrar no ventre de sua mãe?

Vê-se aí que Nicodemos entendeu que Jesus estava dizendo: Nascer de novo,

mesmo, nascer outra vez. Na parábola do Filho pródigo (Lucas, 15: 11 a 32),

Jesus deixa bem claro que teremos uma nova oportunidade, e essa oportunidade

é a reencarnação. Também aí, a mensagem não foi entendida. A Lei de Causa e

Efeito. Foram muitas as ocasiões em que Jesus se referiu à essa Lei. Ao curar o

paralítico, Jesus disse: "-Homem, perdoados são os teus pecados". ( Mateus, 9:1

a 8), mostrando assim que aquela paralisia era conseqüência de erros do

passado, e que já estavam resgatados. Outra ocasião Ele disse: "Não julgueis,

para que não sejais julgados; porquanto, com o juízo com que julgardes, sereis

julgados"; "a medida que usardes para medir vosso irmão, dessa mesma usarão

convosco"(Mateus, 7: 1 a 6); Na ocasião em que os soldados chegaram para
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
prender Jesus, Pedro, num gesto impulsivo, feriu um deles, cortando-lhe a orelha.

Então o Mestre falou: "-Embainha a tua espada Pedro, pois todos que tomarem a

espada, morrerão à espada. (João, 18: 2 a 12). As pessoas ouviam estas

palavras, mas não entendiam o seu verdadeiro sentido. Naquelas ocasiões, Jesus

nos ensinava que responderemos à altura por tudo o que praticarmos. "Lei de

Causa e Efeito. "

Outras frases também foram ditas e as pessoas não entenderam. "Na Casa

do Pai, há muitas moradas"(João: 14: 1 a 31). Aí, Jesus se referia aos vários

mundos habitados. Ainda hoje, há pessoas que acreditam que só o nosso Planeta

é habitado.

"Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" (Mateus, 3: 20, 21). Com

estas palavras, Jesus dizia que somos uma família universal. Somos todos irmãos,

filhos de um mesmo Pai.

O Espiritismo esclarece todas estas expressões. Ele nos faz mergulhar nos

ensinamentos de Jesus e extrair deles o seu verdadeiro sentido. Só o Espiritismo

faz isso.

E o que caiu no esquecimento? Também a Reencarnação. Os primeiros

cristãos eram reencarnacionistas. Mais tarde, principalmente após o surgimento

do Catolicismo Romano, quatro séculos após a vinda de Jesus, essa crença foi

ficando esquecida pela grande maioria da humanidade. Foram esquecidas

também: as práticas socorristas: passe, água fluidificada, diálogo para orientar e

amparar os espíritos impuros. O Espiritismo repete tudo aquilo que Jesus fazia.

Nas Casas espíritas aplicam passes, fluidificam a água e nas reuniões

mediúnicas, em vez do exorcismo adotado, tanto pelo catolicismo, como pelo

protestantismo, os espíritas doutrinam os obsessores, conscientizando-os para

buscarem em Jesus, a ajuda que necessitam para o seu crescimento espiritual.

Os espíritas não tratam os espíritos obsessores pelo nome de espíritos maus.

Sabem que eles são seus irmãos. Podem até terem sido seus parentes em outras

encarnações. Eles os chamam de irmãos sofredores, infelizes necessitados de

apoio e orientação. Não adotam o exorcismo. Primeiro, porque não foi isso o que

Jesus ensinou; segundo, porque não querem simplesmente expulsar os espíritos

obsessores, afastando- os para bem longe. Querem ajudá-los, orientá-los para

que saiam do estado de sofrimento em que se encontram, e isso só se consegue

com o diálogo, a doutrinação. Foi isso o que Jesus nos ensinou. Como exemplo

temos o episódio do obsediado de Gadara quando Jesus dialogou com o espírito

obsessor, perguntando-lhe: "Qual o teu nome?" Ele então lhe respondeu: "Legião

é o meu nome, porque somos muitos". (Mat., 8: 28 a 34). Por tudo isso podemos

afirmar, com segurança, que o Espiritismo é o Consolador prometido, pois atende

perfeitamente às condições impostas por Jesus.

Fechando o parêntese, continuemos a relatar os fatos, verificando o Divino

Mestre a decadência espiritual das Igrejas mercenárias, que assim agiam em Seu

nome, (é do conhecimento de todos o comércio que as igrejas estavam fazendo,
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
naquela época, com a venda das indulgências, uma das causas da Reforma), e

verificando que a humanidade já estava amadurecida o suficiente para receber o

Consolador por Ele prometido, iniciam-se então os preparativos para a vinda do

Consolador. Em uma das assembléias espirituais, presidida pelo divino Mestre

Jesus, foi por Ele destacado um dos Seus grandes discípulos para vir à Terra

organizar, compilar ensinamentos, oferecendo um método aos estudiosos, a fim

de levar a todos o conhecimento dessa Doutrina Consoladora, que foi um dia por

Ele anunciada e prometida. Foi com esta missão, que a 3 de outubro de 1804, na

cidade de Lion, na França, reencarnou Hypollite Leon Denizard Rivail, que mais

tarde se tornou mundialmente conhecido pelo nome de Allan Kardec. Segundo os

planos do invisível, o grande missionário contaria com um grupo de auxiliares,

uma plêiade de espíritos superiores, para coadjuvá-lo na sua obra. Veio então J.

B. Roustain, Leon Denis, Gabriel Delane e Camile Flamarion. Todos estes muito

cooperaram na Codificação Kardequiana, ampliando-a com os conhecimentos

necessários. Constatando então que havia chegado o momento, iniciaram-se os

fenômenos que atrairiam a atenção do mundo para as manifestações espíritas.

Surgiram na América do Norte, na cidade de Hydesville, os fenômenos de efeitos

físicos, com as irmãs Fox. Mais tarde, na França surgiram as mesas girantes, as

quais, não sendo bem compreendidas, logo se transformaram em brincadeira de

salão. Foi quando o nosso Kardec, na época, Hypollite Leon Denizard Rivail,

tomando conhecimento desse fato, julgou a princípio que se tratava apenas de

magnetismo, porém, logo a seguir, verificou que por trás daquelas mesas havia

algo de muito sério, pois elas não só giravam e corriam, mas também davam

respostas inteligentes. A partir daí, começaram os seus estudos, tendo como

resultado a codificação da Doutrina Espírita, que, como o nome indica, não foi

criada por Kardec, não é criação humana, mas é a Doutrina dos Espíritos.

A comunicação do Anjo a Maria, de que ela seria a mãe de Jesus, foi uma

comunicação mediúnica de efeitos físicos: vidência e audiência. E assim por

diante. São várias as passagens que nos mostram que as manifestações espíritas

ou mediúnicas sempre existiram. Seria então o caso de se perguntar: por que a

importância tão grande dos fenômenos de Hydesville e das mesas girantes? É que

até aí os fenômenos espirituais eram esporádicos, não tinham uma seqüência.

Consistiam apenas em revelações, o que fazia pensar que só algumas pessoas

tinham condições de receber. Em Hydesville, porém, aconteceu o diálogo e a

freqüência, pois eles continuaram a se repetir. As mesas girantes foram também

um fenômeno que se repetiu freqüentemente. Estava assim mostrada a

possibilidade do intercâmbio com o mundo espiritual, e que todos podem receber

estas comunicações.

O Espiritismo foi codificado na França pelo missionário Kardec mas, à

semelhança da árvore do Evangelho, inicialmente plantada na Palestina, lá não

encontrou eco. O Espiritismo, na França, não foi aceito nos seus três aspectos:

Filosofia, Ciência e Religião. Na França, o aspecto religioso ainda hoje não é

aceito. A Doutrina Espírita, porém, não prescinde de nenhum destes aspectos,

pois se algum deles lhe faltar, ela estará incompleta.
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho (Célia Urquiza de Sá)
A História se repete. Na França, o Espiritismo não foi aceito nos seus três

aspectos, mas o Brasil a recebeu integralmente, e hoje, com alegria, nos vemos

na condição de o maior País espírita do mundo. A Humanidade necessita dessa

Doutrina que lhe traz lições tão valiosas, pois só os seus ensinamentos

conseguem levar o homem a alcançar a sua reforma íntima, aquela reforma que

nos ensinou o apóstolo Paulo: "que faz morrer o homem velho e despertar o

homem novo", que há em cada um de nós. Nessa Doutrina Consoladora,

aprendemos a conhecer quem somos, de onde viemos e para onde vamos;

aprendemos a amar e a perdoar; aprendemos a fazer o bem sem olhar a quem,

aprendemos que fora da caridade não há salvação; e aprendemos também que

devemos dar de graça o que de graça recebemos.

Mais uma vez a Bahia cumpre o seu papel histórico. Ela é o berço do Brasil,

pois foi lá que Cabral aportou pela primeira vez em nossa Terra, e é também o

berço do Espiritismo organizado no Brasil, pois foi lá, mais precisamente na cidade

de Salvador, que foi criado por Luís Olímpio Teles de Menezes, em 1865, uma

sociedade regida por estatutos, com o nome de "Grupo Familiar do Espiritismo",

sendo assim o primeiro e legítimo grupo de espíritas no Brasil, e a sua finalidade

era divulgar e incentivar a criação de outras sociedades semelhantes pelo resto do

País. Algum tempo antes disso, em 1853, as manifestações das mesas girantes

entraram no Brasil. Despontaram ao mesmo tempo no Rio de Janeiro, Ceará,

Pernambuco e Bahia, mas essas atividades eram desenvolvidas em pequenos

grupos familiares. As dificuldades foram muitas, mas o dinamismo e o amor de

Luís Olímpio Teles de Menezes a tudo superou, e graças ao seu esforço, em julho

de 1869, três meses após o desencarne de Kardec, surgiu na Bahia o primeiro

periódico espírita: "O Eco d'Além Túmulo". Mais tarde, em janeiro de 1883,

Augusto Elias da Silva lança o "Reformador". Essa Revista, centenária, vem sendo

mantida permanentemente em circulação, até hoje. Estas e muitas outras

iniciativas tomadas pelos espíritas daquela época instalaram definitivamente o

Espiritismo no Brasil. Nem todos os espíritas modernos conhecem o trabalho

intenso dos bandeirantes do espiritismo naquela época. Lutaram contra as trevas

do mundo invisível, contra o insulto, à opinião e a descrença das pessoas, e por

muitas vezes foram ridicularizados, mas sempre contando com a ajuda de Ismael

e dos seus mensageiros, as dificuldades foram vencidas, e hoje vemos com

alegria o Espiritismo a se estender por todo o nosso território, e também pelo

mundo inteiro.

CAPÍTULO VIII - FEDERAÇÃO ESPIRITA BRASILEIRA.

O Brasil já contava com várias sociedades espíritas prestigiosas, mas

contrariando as instruções do plano invisível, cada qual com o seu programa

particular, descentralizando a ação renovadora. A Federação Espírita Brasileira,

fundada em 1884, no Rio de Janeiro, por Elias da Silva, Manoel Fernandes

Figueira, Pinheiro Guedes e outros companheiros de ideal espírita, aguardava,

sob a proteção de Ismael, a ocasião propícia para desempenhar a sua tarefa junto

aos grupos do País, no sentido de federá-los, coordenando-lhes as atividades,
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho Célia Urquiza de Sá
sempre dentro dos princípios da Doutrina. Em mais um dos encontros de Ismael

com o nosso Mestre Jesus, ouviu dEle as seguintes palavras: "Ismael,

concentraremos todos os nossos esforços, a fim de que se unifiquem os meus

discípulos encarnados (...) Na pátria dos meus ensinamentos, o Espiritismo será o

Cristianismo revivido na sua primitiva pureza. (...) Procurarás, entre as

agremiações da Doutrina, aquela que possa reunir no seio todos os

agrupamentos: colocarás aí a tua célula, (...) a caridade pura deverá ser a âncora

da tua obra e valerá mais que todas as ciências e as filosofias , e será com esta

célula que conseguirás consolidar a tua Casa e a tua obra". (Xavier, Francisco

Cândido, 1 996 p.220).

Ismael, na condição de trabalhador devotado da seara do Cristo, cumpre

fielmente a sua missão, e na Federação Espírita Brasileira, assenta a sua tenda

de trabalho, tendo como base o seu lema imortal: "Deus, Cristo e Caridade".

Mais tarde, Bezerra de Menezes, aquele a quem os espíritas, com justa

razão, respeitam como o apóstolo e mentor na seara do Cristo, assumiu a direção

da Federação Espírita Brasileira, fazendo desta Instituição o porto seguro a todos

os corações. Hoje, essa Organização Federativa é o programa ideal da Doutrina

Espírita no Brasil. Ela é o norte a guiar as Entidades a ela vinculadas e trabalha

incansavelmente pela unificação, cuja semente foi lançada pelo próprio Jesus

quando disse: "Nisto, conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes

amor uns aos outros". - (João, 13: 34-35). Com estas palavras, o Mestre nos

alertava para a necessidade da união, pois só assim seremos fortes.

Mais tarde, Kardec ouviu do Espírito de Verdade: "Espíritas! Amai-vos, este

o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo" (O Espírito de Verdade -

Evangelho Segundo o Espiritismo").

Algum tempo depois, é o nosso apóstolo e mentor Bezerra de Menezes

quem nos ensina: "Solidários seremos união. Separados uns dos outros, seremos

pontos de vista".

O objetivo da Unificação é fortalecer e facilitar o Movimento Espírita, que é

o conjunto das atividades que tem por objetivo levar a Doutrina Espírita a toda a

Humanidade, através do seu estudo, da sua prática e da sua divulgação, sempre

com base na codificação Kardequiana, e trará como resultado a aproximação dos

Espíritas e das Casas Espíritas, proporcionando o progresso das Instituições. A

Instituição Espírita que se torna adesa à Federativa Estadual passa a fazer parte

do Movimento Estadual Espírita, enriquecendo-se através da troca de

experiências, nunca, porém, sendo pressionada no seu modo de agir e também

vendo sempre respeitadas a sua liberdade e responsabilidade.

No dia 5 de outubro de 1949, por ocasião da Grande Conferência Espírita

no Rio de Janeiro, com a participação de vários dirigentes de Instituições

Espíritas, foi firmado um acordo, que passou a ser chamado "PACTO ÁUREO",

em virtude da sua importância para o Movimento Espírita.
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho Célia Urquiza de Sá
Com esse acordo, o antigo Conselho Federativo da FEB, que federava

diretamente os Centros Espíritas de todo o País, foi substituído pelo Conselho

Federativo Nacional - CFN, integrado pelas Federações e Uniões representativas

dos Movimentos Espíritas estaduais e do Distrito Federal, ficando determinado

que o CFN será presidido pelo Presidente da FEB.

Após a assinatura do Pacto Áureo, foi criada a "Caravana da Fraternidade",

com a finalidade de levar aos Movimentos Espíritas dos Estados do Norte e

Nordeste do País o conhecimento da criação do Conselho Federativo Nacional,

convidando-os a participarem do novo órgão. Essa iniciativa foi coroada de pleno

êxito. Atualmente, todos os Estados brasileiros têm sua representação espírita no

CFN, cujo objetivo é promover a união dos espíritas e a unificação do Movimento

Espírita.

CAPÍTULO IX - CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Diante do exposto, a que conclusão chegamos? Somos o Coração do

Mundo, Pátria do Evangelho? Ou não somos? É verdade que aqui se encontram

pessoas de todas as raças, de todas as nações, de todas as religiões, e, aqui,

todos convivem num clima de fraternidade. Aqui, não temos conflitos religiosos.

Mesmo sendo o Brasil o maior país espírita do mundo; o maior país católico do

mundo; e se ainda não somos o maior pais protestante do mundo, estamos perto

de ser, e todas essas religiões convivem sem agressões, sem ataques. Sabemos

conviver como irmãos, mesmo tendo crenças diferentes. Pensando no mapa da

América do Sul, nos vem logo à memória uma colcha de retalhos, tão numerosa é

a sua divisão em pequenas áreas. Só o Brasil se conservou o gigante que sempre

foi. Mas, se nos conservamos esse gigante, foi porque contamos com o apoio e a

ajuda constantes da equipe espiritual. Para cá vieram os invasores, tais como os

franceses e holandeses, que embora fortemente armados, foram vencidos pelos

colonizadores, auxiliados por nós, os brasileiros, que tínhamos muito menos

condições. Sem nenhuma sombra de dúvida, contamos para isso com a ajuda dos

irmãos espirituais. Sem eles não teríamos conseguido conservar a nossa

integridade territorial. Nesse País tão grande, se fala um só idioma. Se ainda

temos diferenças, se ainda não temos um só pensamento, mesmo assim, não

temos conflitos raciais e conflitos internos de grandes proporções. Os nossos

problemas internos se resolvem pacificamente. Somos um País que já nasceu

rezando. Para que estivéssemos sempre nos voltando para Deus, foi que, por

orientação dos nossos irmãos espirituais, logo após o descobrimento, tivemos

uma missa nas caravelas. Dias depois, tivemos outra já em terra firme, e isso fez

com que o nosso povo traga sempre Deus presente em todos os pensamentos.

Somos a Pátria do Evangelho? Que é Pátria do Evangelho? Para aqueles

que vivem só do imediato, apegados só às coisas materiais, Pátria do Evangelho

seria aquela onde facilmente o seu povo enriquecesse e vivesse de prazeres e

conforto material. Nesse caso, não seríamos nós e estaríamos bem longe de ser.

A Pátria do Evangelho, com certeza, seria uma das nações do Primeiro Mundo.
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho Célia Urquiza de Sá
Mas, foi aqui que Jesus transplantou a árvore do Seu Evangelho. Será que isso é

suficiente ? Não. Isso não é suficiente... A escolha de Jesus para, numa nova

tentativa, nos entregar a tarefa de semeadores do Seu Evangelho, significa que

um planejamento foi feito para nós. A espiritualidade nos ofereceu todas as

condições necessárias para o cumprimento dessa missão. Ela fez e continua

fazendo a sua parte, mas será que estamos fazendo a nossa? O Brasil será o que

nós fizermos dele. Isso quer dizer que esta missão que nos foi confiada poderá ter

ou não ter sucesso. O palco está armado, mas os atores somos nós. O projeto é

grandioso, a oportunidade é valiosa, mas depende de nós. É importante observar

que, mesmo tendo sido escolhidos por Jesus, para viver, aprender e espalhar o

Seu Evangelho, além da generosidade e boa vontade de seu povo, encontramos

também, no Brasil, egoísmo, ódio, violência, o que índica que ainda não somos

um povo evangelizado. Então o Brasil ainda não é a Pátria do Evangelho. Ainda

não conseguimos superar a mágoa pela injustiça e o ódio pelas humilhações

sofridas que trazemos em nossas raízes. Em compensação, temos também a

resignação e a boa vontade do coração puro o que nos torna um povo pacato,

sensível, resignado e sempre pronto a ajudar, fruto da miscigenação de que fomos

formados; e temos também o essencial: a fé e a confiança em Deus. Isso poderá

nos levar a incorporar, nos atos diários, aquilo que dizemos acreditar. Quando

assim fizermos, estaremos nos olhando a todos como irmãos, filhos de um mesmo

Pai. Isso é vivenciar o Evangelho. Esta é a lição que nos compete levar ao mundo.

É aprendendo e vivendo esta lição que levaremos, aos nossos irmãos de todo o

Universo, o grande ensinamento de Jesus: "Amai-vos uns aos outros como eu vos

amei". Esta é a nossa missão . Ainda não somos um povo evangelizado, mas já

conseguimos dar os primeiros passos. É gratificante observar como as religiões,

embora se digam pensar diferente umas das outras, agem de forma idêntica. As

campanhas em busca da Paz; o combate às drogas; o incentivo à vida, na luta

contra o suicídio, o aborto, a eutanásia, pena de morte e outras, revelam que,

mesmo sem perceber, a humanidade caminha para um mesmo ponto. Isso indica

que a semente do evangelho está florescendo. Não é à-toa que temos tantas

religiões nesse país. Seria difícil para uma só religião atingir em pouco tempo

duzentos milhões de habitantes. Tudo isso faz parte dos planos divinos. Um dia,

veremos na prática a realização daquelas palavras do nosso Mestre: "Haverá um

só rebanho e um só Pastor". Fomos escolhidos por Jesus para sermos a pátria do

evangelho, mas não somos a única nação escolhida para uma nobre tarefa. Deus

é Pai de todos, e a cada um é reservada uma missão. Fazemos parte de um

concerto, onde cada nação é uma nota na Sinfonia Divina.

Emmanuel, mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier, prefaciando a

obra em estudo, "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", diz: " se a

Grécia e a Roma da antigüidade tiveram a sua hora, como elementos primordiais

das origens de toda a civilização do ocidente: se o império português e o espanhol

se alastraram quase por todo o planeta; se a França e a Inglaterra têm tido a sua

hora proeminente nos tempos que assinalaram as etapas evolutivas do mundo, o

Brasil terá também o seu grande momento no relógio que marca os dias da

evolução da humanidade".
A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho Célia Urquiza de Sá
As outras nações também têm as suas missões. Quais? O que compete a

cada uma delas? Se ainda não nos conscientizamos realmente da nossa, por que

nos preocuparmos com a que cabe aos outros? Sigamos em frente, confiando em

Deus, em nosso Mestre Jesus, em nosso protetor Ismael, e façamos a nossa parte

que, com toda a certeza, um dia faremos da nossa Terra o CORAÇÃO DO

MUNDO, A PÁTRIA DO EVANGELHO.

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BIBLIOGRAFIA.

OBRA REFERÊnCIA:

Xavier, Francisco Cândido, "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do

Evangelho" Espírito Humberto de Campos 22 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1996,

OBRAS CONSULTADAS:

- BERNI,Duílio L. "Brasil, Mais Além." 5. ed. Rio de Janeiro: FEB 1994;

- BEAZLEY, Raymond. "O Infante D. Henrique e o Início dos

Descobrimentos Modernos." Traduzido por Álvaro Dória. Porto: Livraria

Civilização.1 945. p. 1 35. Tradução de "Prince Henry the Navigator the Hero of

Portugal and of modern discovery";

- Kardec, Allan. "O Evangelho segundo o Espiritismo". 151 ed Tradução por

Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro FEB. 1992. Tradução de "L" Évangíle Selon Le

Spírítísme";

- Kardec, Allan. "O Livro dos Espíritos" 59. ed. Tradução de Guillon Ribeiro.

Rio de Janeiro: FEB. 1984. Tradução de "Le Lívre des Espíríts";

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