quinta-feira, 24 de maio de 2018


SAUDADE DA QUERÊNCIA!
Querência é a seiva da água límpida a correr na mata virgem, quando a nata da natureza intocada floreia no jardim das miragens inoculadas da brisa suave, a trespassar na aquarela de cores, na insofismável beleza da criação Divina.
                É o Éden sonhado pelos ideais do homem na utopia dos tempos de hoje, onde a correria para chegar, não se sabe onde, leva o vivente para a hecatombe do despenhadeiro sem fim.
                No entanto, a soledade das delicias perdidas nas memórias latentes, vez por outra, se sobressaem às amarguras das intempéries nos solavancos soturnais, nos insensatos torvelinhos da gesta campeira, quando a força do braço não atinge mais, a grande redondilha da vida.
                A saudade de antanho, volta a galope ferindo o coração numa mágoa estreita, o tridente fere, e a alma chora no estribilho da canção, pelo sentimento de abandono nas entrelinhas da tristeza que toma conta do ser!
                Não terá mais solução, na agonia da última tropeada do ser utópico? E os pirilampos que iluminam os campos nas noites de breu, da grande pampa, serão extintos? Entretanto, as brumas do amanhecer, aguardando o sol nascer, indicam que tudo volta ao normal, no horizonte da vida que reinicia.
                Se assim não acontecer, não terá mais solução. Portanto, a querência ainda está aí com todo seu esplendor. É preciso, pois, virar a pagina e fazer nova escrita, no folhetim da vida integral no seu triunvirato maior: matéria, sopro e seiva, num complemento final da sina que segue, como fruto sazonado do vai e vem, à volitação da liberdade como desiderato alcançado.
                Pensemos nisso!
           ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e tradicionalista.
       (Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com; Twittter, toninhopds).

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