quarta-feira, 5 de abril de 2017

                                         “ALO, ALO SENHORES PAIS”.
                Chamamos atenção dos senhores pais para a educação de seus filhos. Os jovens de hoje, estão sem rumo, tateando, muitas vezes na escuridão, em busca de algo quem nem mesmo eles sabem.
                Por isso, a orientação, a busca de soluções compartilhadas é o melhor antídoto para o veneno que se espalha no ar, na busca desenfreada de uma felicidade fútil, do momento do prazer na inconstância da vida temporal.
                Alguns pais estão literalmente abandonados seus filhos aos desmandos da liberdade sem consciência (libertinagem) e a volúpia do momento.
                Na vertiginosa carreira do ego inflado, do vencer a qualquer custo, na competitividade absurda que se criou, na falta de objetivos bem definidos na superior condição de cada ser humano, a sociedade de hoje, jaz inerme às tragédias do cotidiano que, pasmem parece ser um lugar comum e não choca mais os homens de bem.
                Qual orientação se dá aos nossos filhos quanto à espiritualidade? Eles que vão escolher quando crescerem, dizem... agora não tenho tempo. Preciso pensar no futuro!
                Precisamos pensar uma sociedade com objetivos culturais e morais apregoados no dia a dia, para que se forme a personalidade de cada individuo no cerne de questões de uma práxis que, o tempo mostrará como apanágio de um povo cordial e humano, na legitima acepção da palavra.
                A educação de nossos rebentos não pode ser descurada porque as consequências estão aí, para quem quiser ver. Uns meninos lindos em sua aparência exterior, mas verdadeiros zumbis por dentro, devido ao abandono e a família desregrada, pelos modernismos impostos como verdadeiros, por aqueles que querem ver o caos instalado. Quanto pior, melhor.
                Depois, senhores pais, não chorem pela ingratidão dos filhos. Eles são reflexo daquilo que fizemos deles!
                A verdadeira educação sempre começa em casa e não há outra solução. A escola pode continuar sim, mas ela ensina as disciplinas da intelectualidade e no lar, se aprende as disciplinas da vida.
                Inferindo, é preciso investir na própria família e cada uma delas como célula mater, é responsável sim por isso que aí está. Podemos mudar tudo.
                Os pais são responsáveis primeiros. Comecemos tudo de novo se preciso for. Encetemos uma nova jornada no rumo dos próximos decênios obedecendo ao critério de nossa consciência que nos diz: eduque seu filho para a verdadeira cidadania. A sociedade não o fará!
                E ali, logo ali, veremos com alegria as sombras se dissiparem num novo alvorecer, onde os sorrisos voltarão aos rostos esmaecidos pela dor do passado, mas revigorados pelo presente de luz e energias de amor e paz!
Pensemos nisso!
     ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

          (Email, toninhosantospereira@hotmail.com; twitter, toninhopds; blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).
                                           COLÔNIA DO SACRAMENTO!
                A Colônia do Sacramento, hoje simplesmente Colônia, a primeira cidade do Uruguai, a 176 quilômetros de Montevidéu, defronte de Buenos Aires, no imenso estuário do Prata, foi fundada em janeiro de 1680, por Dom Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro.
                Estas fundações alem do meridiano de Tordesilhas, feito ousado de Portugal, sobre cujos domínios, mais vastos que o Império Romano, o sol não se punha, foi a causa de todas as guerras do Brasil contra os castelhanos.
                Foram dois séculos de brigas e combates, que ensanguentaram o solo rio-grandense e criaram o espírito guerreiro de seus filhos.
                                                CHASQUES.
                Expressões gaúchas envolvendo o cavalo:
Arrepiar carreira – Desistir de algo.
Endurecer o lombo – Embarbecer, desistir.
Não atropela o petiço se quiser chegar ligeiro – Devagar se vai ao longe.
O potrilho coiceou na marca – Criança de mau gênio.
Tirar o cavalo da chuva – Abandonar um negócio ou assunto.
Cavalo maneado também pasta – Casado também dá seus pulinhos.
Crescer como cola de cavalo – Ir mal de negócios ou amores.
Mulher sardenta e cavalo passarinheiro – Alerta companheiros, ambos são tidos como perigosos.
Nunca se muda cavalo em arroio – Tudo tem seu tempo e hora certa.
Apurado como cavalo de carteiro – Pessoa que anda sempre apressada.
                                          CHIMARRÃO!
A maior característica do povo do Rio Grande do Sul é o gosto pelo chimarrão. A cultura de servir o chimarrão entre amigos é passada de geração para geração. O gosto é amargo, estimulante e saboroso. Lei 11.929/2003.
Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Glaucus Saraiva.

  ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS- Professor e radialista.

quinta-feira, 23 de março de 2017

                                                       SAUDADES!
Os versos abagualados do mestre Euclides Pereira Soares, continuam definindo saudade! 

Saudade que mais nos fala, nos momentos de abandono, é um pesadelo no sono, que o repouso nos destrói, espinho agudo que dói, perfurando sem clemência, é sol quem em nossa existência, como ferida corrói.

Saudade, sanga estridente, corcoveando na barranca, do nosso peito que estanca, a alegria a se espraiar, é um misto de mal estar, é amor de prenda amada, que por sorte malfadada, não se pode visitar!

Saudade, velho suplício, que longe do pago a gente, no peito oprimido sente, quando cisma em recordar, numa noite sem luar, é a contínua tortura, de dor e de amargura, que na alma vem morar!

Saudade, se bem que amarga, sempre tem um que de doce, porque se assim não fosse, nem um guasca aguentaria, porque comigo ficou? por toda parte que vou, não posso viver em paz, se me foges vou atrás, saudade, quem te inventou?
                               LEI DE GERSON X MORAL CRISTÃ!

                Tempos atrás, olhando pela TV uma transmissão de um jogo de vôlei, em que o Brasil disputava um Jogo importante, os analistas de rede comentaram que o juiz havia errado a favor do escrete brasileiro. Até aí tudo bem. O problema é que eles disseram “que ainda bem que o juiz tinha errado em favor do Brasil”.
                Fiquei então a imaginar: esta colocação, e não era a primeira vez que a ouvia, principalmente em transmissões de jogos e que já era lugar comum, que se o árbitro errasse a nosso favor, estaria tudo bem!
                Matutei com meus botões e lembrei-me da famosa “Lei de Gerson”, onde o legal era se tirar vantagem em tudo e me perguntei, se essa verdadeira massificação seria boa para a nossa juventude! Parece-me que não.
                É preciso, nos alertarmos para estes detalhes que vão aos poucos, sendo impregnados na nossa sociedade, invertendo valores e subvertendo a ordem normal de um País, iminentemente cristão.
                Acho, salvo melhor juízo, que precisamos repensar aquilo que estamos fazendo para melhorar a degradação moral, que de forma sub-reptícia, está sendo imposta, normalmente de cima para baixo e que aos poucos se torna normal.
                No entanto, muitas pessoas retrucam, que a moral muda com os tempos, que tudo evolui e que não podemos “parar no tempo”. Respondo então, que a moral Cristã, os seus ensinamentos de amor fraterno entre os povos, por exemplo, permanecem imutáveis e que se as crianças e a juventude não tiverem limites, onde iremos parar?
                A natureza é perfeita. Tudo está colocado em seu devido lugar. O homem, com seu orgulho e presunção, tenta mudar essas leis, com resultados catastróficos para toda a humanidade.
                Para finalizar, valho-me de uma mensagem de Emmanuel, endereçada principalmente aos pais: “Os pais do mundo, precisam compreender a complexidade e a grandeza do trabalho que lhes assiste. É natural, que se interessem pelo mundo, pelos acontecimentos vulgares, todavia, é imprescindível não perder de vista que o lar é o mundo essencial, onde se deve atender aos desígnios Divinos. Os filhos são obras preciosas que o Senhor lhes confia às mãos, solicitando-lhes cooperação amorosa e eficiente. Receber encargos desse teor é alcançar nobres títulos de confiança, compreendendo que, se para ser pai ou mãe são necessários profundos dotes de amor, à frente dessas qualidades deve brilhar o Divino dom do equilíbrio”.

         ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

(Email, toninhosantospereira@hotmail.com; twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).

quinta-feira, 9 de março de 2017

                                     CTG RINCÃO DA ALEGRIA!
                Em homenagem a mais um aniversário do CTG, quero fazer algumas referências que me parecem relevante concernente a esta entidade, fundada em cinco de março de 1961, junto à Aliança Católica de Santa Cruz do Sul, hoje, Clube Aliança.
                Tinha somente uma invernada de danças, cujo gaiteiro era o mano Cliff Manoel Pereira dos Santos e o posteiro de danças o sargento Schuck do 8º Batalhão de Infantaria e dos componentes um deles era o Sirlei Jorge Vieira que, por muitos anos, foi barbeiro no quartel.
            Nessa mesma época o CTG retirou-se da Aliança, fazendo os seus ensaios numa pequena garagem à Rua Senador Pinheiro Machado defronte, onde é hoje o edifício Santa Cruz.
            Após, mudou-se para o Círculo Operário na Rua Felipe Jacobus, esquina com a Princesa Isabel. Era patrão, nesta ocasião, o senhor Norberto Adam e participava da invernada de danças, o Juarez de Freitas, que um tempo foi o posteiro e namorava a prenda que era também gaiteira Sonja Dione Furtado. Posteriormente casaram-se e constituíram família.
            Os irmãos da Dione, a Beatriz que foi primeira prenda e o Ademir também participavam da invernada artística. Alguns anos depois, em 1965, o CTG mudou-se para a Rua Gaspar Bartholomay no terreno do seu Furtado, que por sinal era pai da Dione e irmãos. Já começavam a participar do CTG o Antonio Alves Fernandes, Pedro Lima, Léo Corrêa, João Delfino da Silva e outros que, um ano após viriam a fundar um novo CTG na cidade, o Estância Alegre. Neste mesmo ano veio se apresentar na entidade o famoso cantor nativista José Mendes que fazia sucesso principalmente com a música “Para Pedro”.
            O CTG Rincão da Alegria após, fixou sua sede, agora definitivamente à Rua Leonel do Prado, quase na esquina com a Rua Pitta Pinheiro. Ali conhecemos o senhor Valter Rosa, o compadre Amauri Belmonte de Souza e a esposa Adélia, que por sinal um dos casais mais dançadores que conheci.
            Tivemos a honra de conhecer também o seu Alfredo dos Santos, Clóvis Mença, Valdir dos Santos, Albino Dettemborg, que foram patrões da entidade. Faço um parêntese para dizer que o Valdir dos Santos foi juntamente comigo e o patrão do CTG Estância Alegre, Antonio Alves Fernandes, em 1973 os responsáveis pela realização do 1º Rodeio Crioulo Estadual de Santa Cruz do Sul, realizado pelos CTGs Tropeiros da Amizade, Rincão da Alegria e Estância Alegre.
            O senhor Anselmo Rodrigues Fernandes também participou deste CTG, juntamente com sua esposa, a cantora chamada de castelhana, Maria Augusta de Lima Fernandes e filhos, Zulaime, Tânia, Fátima e Joana que na época faziam parte da invernada de danças e mais o garotinho Jesus que, por sinal, declamava por onde andava. Todos eles eram oriundos do CTG Tropeiros da Amizade. O seu Anselmo estava sempre em rodeios com sua famosa gaita de oito baixos, alegrando os ambientes por onde passava e faturando alguns troféus hoje enfeitando a casa dos filhos.
            Ainda lembro na invernada de danças do Hamilton Souza que também foi patrão, o Paulo Roberto Sandim, grande dançador de malambo, que é uma dança de origem uruguaia muito difundida na época, o Kiko Preuss, o Edgar, Ozias, Ozi Pascoal, Valmor Silveira, Adriano Muller, Elmídio Lopes Rodrigues e muito mais.
            O resto da história, os livros de atas devem conter inclusive o infausto acontecimento da morte do Patrão Domingos Maieswky, o Polaco, que foi morto pelo seu capataz Afonso Forster júnior, o Fostinha, numa desavença particular de grande repercussão na cidade.
            Naquela época todos andavam armados, de revolveres e facas, inclusive nos bailes e fandangos. Somente na década de 1980 é que os CTGs começaram a se desarmar, a pedido de um delegado de polícia. Até hoje, ainda tem alguns que teimam em usar armas, principalmente facas, o que é terminantemente proibido pelo MTG.
            Já na década de 1990, Rubem Coitinho Brião ingressa no CTG, trazendo com ele muitos líderes que até hoje fazem a história do tradicionalismo em nossa região, como por exemplo, Armando Clóvis Gewehr.
    ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.
            (Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).


quinta-feira, 2 de março de 2017

                                             GAÚCHO DA FRONTEIRA!

                No final da década de 1970, quando o Gaúcho da Fronteira começava a fazer sucesso principalmente com a música Varifun, o CTG Tropeiros da Amizade o contratou para um espetáculo no pavilhão central do Parque da Oktoberfest, seguido de um baile gaúcho.
                Tudo preparado para o dito evento e aguardava-se, com ansiedade a chegada do artista. Já passava das 22 horas e nada do Gaúcho chegar. Quase ninguém o conhecia, a não ser pelos seus discos. Estava na portaria, o tradicionalista Juarez de Freitas Lopes e de repente chegou um sujeito pilchado querendo entrar sem pagar ingresso.
                 Foi barrado pelo Juarez dizendo que o mesmo teria que pagar sua entrada para ver a apresentação tão esperada por todos e quem conheceu o Juarez, sabia que ele era duro na queda. Foi então que o Gaúcho da Fronteira se identificou, esclarecendo a situação e logo todos nós confraternizávamos com o Xiru, que realmente era muito divertido.
                Foi uma apresentação de sucesso e um baile dos melhores, dando um bom lucro para o CTG. Lembro que veio lhe acompanhando o Antoninho Duarte, exímio violonista, que por muitos anos, fez dueto com o Albino Manique, na famosa Dupla Mirim.
                No outro dia, convidamos os dois para irem ao CTG, almoçarem conosco onde fizemos outra grande festa, inclusive gravando o programa Grande Rodeio da Tradição com a participação efetiva dos dois artistas.
Este programa nós apresentávamos desde 1965, na sua segunda fase, tendo uma parceria, primeiro com Elemar Aloysio Preuss e depois com Valdemar Mancilhas Rodrigues, transmitido pela Rádio Santa Cruz, aos domingos pela manhã e foi ao ar até 1985.
                Recordo também que muitas amizades foram forjadas nesta festividade como do Gaúcho com a professora Maria Nilza Paz que foi recepcionado em sua residência. O antoninho Duarte ficou na casa do Geraldo Schmidt (Buenacho).
                Naqueles tempos, as coisas eram mais naturais e os artistas eram mais simples, não exigindo, por exemplo, hotéis ou mordomias que poderiam encarecer suas contratações.
                Bons tempos aqueles!

                      ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

                                                       NÃO JULGUES!

                “A terra é a grande escola das almas em que se educam alunos de todas as idades. Não enxergues inimigos nos semelhantes de entendimento imperfeito ou diferente. Muitos deles não saíram ainda do jardim de infância espiritual”. (Emmanuel).
                A crítica mordaz, a crítica destrutiva e o julgamento prematuro, estão entre os defeitos mais difíceis de extirparem do nosso coração. Estas mazelas criam formas-pensamentos que se alastram e impregnam em nossa aura, que fica escura e espessa, impedindo a entrada de luz e compreensão em nosso ego.
                Um provérbio dos índios americanos, diz muito sobre o assunto: “Não julgueis outra pessoa enquanto não tiverdes andado uma milha usando o mocassin dela”. Ademais, aquele que critica por criticar, que julga sem conhecimento de causa, tem no fundo da alma, uma mágoa muito grande e é um ser infeliz.
                O ser humano, precisa aprender a se entender mutuamente. Retirar de seu coração o ódio e a malevolência. Já dizia o poeta: “Eu falo daquilo que meu coração está cheio”.
                Por isso, se quisermos que o outro mude primeiro eu tenho que mudar. Nunca apontar o indicador para o nosso próximo, mas o polegar para nós.
                Então, olhemos para dentro de nós e procuremos a parte lesada do nosso “eu”, curando-a. Removamos a trave do nosso olho e não o argueiro do olho do vizinho e vamos finalmente rever os nossos sentimentos, purificando-os e deixando que alegria e a paz sejam o apanágio de nossa fronte.
                Inferindo, que possamos com a luz Divinal iluminar nosso caminho, por que eu posso sim, melhorar a humanidade, sempre a começar pela reforma homem velho que ainda impera no meu imo.
                Enquanto, estivermos olhando o nosso próprio umbigo, estaremos egoisticamente, disseminando a desarmonia e a cizânia entre nós e os povos.
                Todos somos responsáveis nessa grande aldeia global!

       ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

                (Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).