terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

                     

                                                           O BEM E O MAL !

O bem é tudo o que é conforme à lei de DEUS; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de DEUS. Fazer o mal é infringi-la. Allan Kardec; o Livro dos Espíritos, questão 630.
A lei de DEUS é a mesma para todos, porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal, sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade. Allan Kardec; o L E. 636
Tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz. L E 637
Com efeito, esclarece Emmanuel, o determinismo divino se constitui de uma só lei, que é a do amor para a comunidade universal. Todavia, confiando em si mesmo, mais do que em DEUS, o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei, efetuando, desse modo, uma intervenção indébita na harmonia divina.
Eis o MAL. Urge recompor os elos sagrados dessa harmonia sublime.
Vede, pois que o mal, essencialmente considerado, não pode existir para DEUS, em virtude de representar um desvio do homem, sendo zero na sabedoria e na Providência Divinas.
O Criador é sempre  Pai generoso e sábio, justo e amigo, considerando os filhos transviados como incursos em vastas experiências.
 Mas, como Jesus e seus prepostos são seus cooperadores divinos, e eles próprios instituem tarefas contra o desvio das criaturas humanas, focalizam os prejuízos do mal com a força de suas responsabilidades educativas, a fim de que a humanidade siga retamente no seu verdadeiro caminho para DEUS.
Aproveitar-se do mal praticado por outrem, é tão culpado quanto este, uma vez que tira proveito e dele tira partido.
Há dois tipos de males: o que o homem pode evitar e os que independem de sua vontade. No segundo há os flagelos naturais.
A dor é o aguilhão que impele o homem para o progresso.
A lei divina está gravada na consciência do homem. Os males, o homem cria através de seus vícios, de seu orgulho, da sua cupidez, do seu egoísmo, de seus excessos em tudo. Aí a causa da guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissenções, das injustiças, das enfermidades etc..
Do que o homem precisa então? Mudar de vida.
Pode-se dizer então, que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem.
Deus somente quer o bem; só do homem, procede o mal. Se na criação houvesse um ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas tendo o homem o livre arbítrio e por guia as leis  divinas, ele pode evitar sempre que queira.
Pesquisa do TOMO l da FEB.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

                                                            QUE PENA!
As pessoas não entenderem as boas intenções.
As pessoas serem covardes e hipócritas.
As pessoas não considerarem que a vida é uma eterna sucessão de erros e acertos e então perdoarem os erros e bonificarem os acertos.
As pessoas não se amarem mutuamente.
As pessoas não praticarem a caridade, onde envolve três itens: benevolência, indulgência e perdão das ofensas.
As pessoas serem egoístas e presunçosas, achando que o mundo tem que girar ao seu redor.
As pessoas não conhecerem a si próprias, penetrando no imo do seu ser e perceber que a vida só pode ser bem vivida, se fizerem alguém feliz.
As pessoas não sorrirem mais.
As pessoas não serem mais fraternas.
As pessoas acumularem ódios e ressentimentos contra  seu próximo, porque, nós somos como um espelho, que reflete tudo o que sentimos e fazemos. Portanto, tudo, mais dia, menos dia, voltará para nós.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

                                             COMO É BELO O NATAL!
                Como é belo o Natal! Onde  ar, parece que se enche de uma energia luminosa que se expande a cada coração, fazendo vibrar cada célula de nosso ser.
Como é belo o Natal! Não o natal do consumismo, dos papais noéis que só querem vender, mas sim, o Natal do advento de Jesus. O anúncio de que Ele está em cada um de nós. 
Como é belo o Natal! Onde as famílias, se reúnem em torno dos mesmos ideais, de paz, amor e amizade.
Como é belo o Natal! Onde a violência que grassa em nossa sociedade, é substituída pelo desejo de amar-nos uns aos outros, sem ressentimentos, sem mágoas e sem remorsos.
Como é belo o Natal! Onde ninguém cata comida nos lixões, onde os pais não abandonam seus filhos a sua própria sorte e onde a solidariedade, faz parte do cotidiano de cada um.
Como é belo o Natal! Onde os políticos param de enganar e de mentir para conseguir seus objetivos, muitas vezes escusos e sim, confraternizar e buscar, o bem coletivo.
Como é belo o Natal! Onde a natureza se torna mais bela, o verde dos campos, da relva e das matas, se torna mais viçoso e resplandecente.
Como é belo o Natal! Onde o cântico dos pássaros, se torna música aos nossos ouvidos, onde a cada dia que amanhece, agradecemos a Deus, a nova oportunidade que temos de continuamos com vida.
Como é belo o Natal! Onde pudermos enfim, reconhecer a nossa importância como ser vivente e espiritual, filhos do Pai amantíssimo, que nos quer ver progredir sempre, na lei da paz e da fraternidade Universal.
Como é belo o Natal!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

FAMILIA, TRADIÇÃO E CIDADANIA

FAMÍLIA, TRADIÇÃO E CIDADANIA
                Vivemos, numa época muito difícil, devido às dificuldades que passa o nosso País na área sócio-econômica-cultural.
Pela ação dos meios de comunicação, principalmente a televisão e a internet, sabemos instantaneamente o que se passa pelo mundo, trazendo a informação, fazendo com que vivenciemos a violência do dia-a-dia em todo o planeta, com todo o medo que medra em nosso meio, também, começamos a preparar as nossas defesas. Como? Ensinamos nossos filhos as artes marciais, ou seja, como matar e não se defender.
                Ora, meus amigos, o erro está na base. Na célula mater da sociedade. A família! É preciso reeducá-la.
Aos pais urge tirar “um tempo” para conversar com seus filhos (conversa franca, sem rodeios). Fazer, por exemplo, a ”hora democrática”, em que todos participem e digam dos seus problemas, (ouvir é preciso). É necessário, que na família existam verdadeiros amigos. Família que conversa, que reza e se diverte unida, permanece unida.
                As entidades,  de uma maneira geral, infelizmente, deixaram de oportunizar a vivência cultural, para se preocupar somente com o lucro que podem auferir.
Portanto, necessário se faz que, em cada oportunidade, os responsáveis, tanto pais, quanto dirigentes, assumam seu papel de verdadeiros cidadãos, preocupados com a violência, com o consumo de álcool e drogas, com os “pegas” e conseqüentes tragédias no trânsito, com a desagregação familiar, que leva qualquer individuo ao desajuste social e moral.
                E, é aí que entra a Tradição. Como exemplo a ser seguido pelas sociedades organizadas, citamos os Centros de Tradições Gaúchas, entre outras entidades tradicionalistas, onde a família é a mola propulsora para um viver saudável, cultural e harmonioso.
Nos CTGs, impera o respeito, não só as tradições como também, ao ser humano. O que era considerado, anos atrás, “grossura”, nota-se hoje, que é o ambiente que desejamos ter, para os nossos filhos.
                Uma verdadeira escola de cidadania, que, obrigatoriamente, não precisa estar localizada num galpão crioulo, mas, pode encontrar guarida, em qualquer ambiente sofisticado e moderno.
                A hora destas mudanças é agora, porque amanhã poderemos engrossar as fileiras de tantas famílias que choram a perda de seus entes queridos, nos descaminhos da vida, nos miasmas pestilentos das drogas, que os tornam verdadeiros monstros, pelos desvios sociais e morais, que levam para a hecatombe a nossa sociedade.

                                ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS. Professor de Estudos Sociais e tradicionalista.
               

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Primórdios do espiritismo, como doutrina, no Brasil e sua finalidade!

                                                            ESPIRITISMO
                O espiritismo surgiu num momento de profundo relaxamento espiritual do planeta. O esplendor científico do sec. XlX proporcionara, como ainda hoje, conforto e facilidades materiais, enriquecera o patrimônio intelectual do homem, mas foi impotente para fazê-lo feliz. Dera-lhe um admirável domínio sobre as leis naturais, mas não o tornou melhor. Os sistemas de moral e de filosofia propostos pelos pensadores honestos foram insuficientes para conformar o individuo com um Deus desconhecido e inacessível, um futuro incerto, tenebroso, indevassável! Restava para a religião por um dever fundamental, socorrer o homem culto, senhor da natureza, rico e cheio de comodidades, mas vazio da alegria de viver. O serviço inestimável da religião seria justamente o de reconciliar a criatura com o Criador, despertando-a para as responsabilidades múltiplas no mundo, a fim de que o homem material, prenhe de conquistas científicas, não atrofiasse o homem espiritual, com suas ignoradas e infinitas possibilidades divinas.
Desgraçadamente, porém, todas as correntes religiosas se haviam cristalizado em hábitos ritualísticos, em dogmas pesadões, em literalismos textuais, em sutilezas teológicas.
Observemos: de um lado, o dogmatismo religioso, autoritário e árido, de outro, o positivismo filosófico e cientifico, com suas limitações exageradas, que redundaram num ateísmo lamentável e prejudicial.
Foi por isso que o espiritismo veio. Na verdade,  ele era esperado, de maneira imprecisa, como medida providencial, como socorro do alto. O homem, entre as muitas distrações de leviandades no ambiente transitório da Terra, se esquecera da Pátria espiritual, donde viera um dia, cheio de esperanças, para reeducar, no esforço evolutivo, sua alma rebelde e culpada. Esquecendo-se do Céu, o céu lhe fala, através dos seus irmãos que ficaram, a eterna mensagem da imortalidade triunfante. Vindo, o espiritismo não trazia no bojo de sua doutrina espiritual nenhum programa de agressividade. Não lutaria por uma posição fanática no coração humano. Não seria uma religião a mais, com uma psicologia exclusivista, com um novo código de preceitos mecanizados e obrigações proibitivas. Doutrina de responsabilidade e de liberdade, inicialmente ela vai concordar com o espírito da época, que pedia livre exame e rigorosa experimentação. A fé que apresenta deve ser racionada e não imposta.
Toda a Europa culta se movimenta neste sentido. Até onde se podia arrolar os fenômenos espíritas  na categoria de fraude, embuste ou satanismo. Na Inglaterra, principalmente, nomes ilustres de consagrados na historia cientifica se curvam para a evidência das certezas espíritas. Basta citar os nomes de W. Crookes, Oliver Lodge, Russel Wallace. Na França, pátria do próprio Allan Kardec, que codificou os ensinos novos ditados pelos espíritos e com eles estruturou a chamada Terceira Revelação, eminentes e respeitáveis intelectuais se fazem paladinos da nova Fé, como Flammarion, Delanne, Denis, Rochas. Na Itália, um Bozzano. Em toda parte, a ciência vasculhou, examinou, pesou, mediu, concluiu e se convenceu.
Filosoficamente falando, o espiritismo é uma religião que ajuda o homem na solução de seus problemas. Para todo problema há uma solução. E nossa vida está repleta deles. As noções tradicionais de filosofia, compendiadas mais para fins didáticos do que para a compreensão da personalidade humana e dos objetivos da vida, são insuficientes, incompletas, para nos saciar a mente e o coração. Há dores em nosso caminho, há um destino que nos enlaça e arrasta, cumprindo um plano que ignoramos e que nos toca muito de perto. Quantas incógnitas, quantas apreensões, quantas dúvidas! A esfinge se ergue de novo no areal ardente e repete as palavras terríveis do pobre viajor humano.   Decifra-me, ou te devoro....
A vida espiritual está, igualmente, subordinada a leis. Nosso destino tem a sua, inteligente, lógica e justa. Somos pobres ou ricos, doentes ou sadios, inteligentes ou obtusos, sábios ou ignorantes, em obediência a um principio íntimo de justiça e não a um favoritismo divino. Nossos contrastes sociais refletem posições espirituais diferentes, em virtude da aplicação que fizemos de nosso relativo livre-arbítrio. Tudo deve ser examinado, aprofundado e entendido. A vida não é um caos, mas uma esplêndida sinfonia.
Eis o homem diante de si mesmo. Donde procede ele? Porque vive dessa forma? Para onde o leva seu destino? Que haverá depois da morte? São questões transcendentes que precisam ser enfrentadas e resolvidas, para que os nossos dias no mundo não transcorram entre os gozos, as ambições e os orgulhos. Elas envolvem sagrados interesses de nossas almas. Uma religião para o novo milênio não pode limitar-se à consolação com os valores da fé, mas está no dever, imposto pela evolução, de iluminar a razão, para que tudo seja esclarecido e aceitável. E o espiritismo atende, satisfatoriamente, a essa necessidade do espírito moderno. Fundamentado no Evangelho, ele é a melhor filosofia da vida, indo ao encontro das almas errantes na Terra e explicando-lhes seus destinos, suas origens, seus fins gloriosos através da evolução, suas vidas sucessivas, suas lágrimas e suas esperanças.
A ciência por sua vez, é apenas uma conseqüência natural, porque somente uma religião que se submeta aos processos rigorosos da experimentação será honesta consigo mesma. Para uma época materialista e cientifica é indispensável opor uma filosofia religiosa, que seja também, de base científica. Podemos então dizer que espiritismo: É uma ciência que estuda a natureza, a origem e o destino dos espíritos e sua interligação com o mundo corporal.
                                         O ESPIRITISMO NO BRASIL
                No século dezenove, muitas espíritas eram de parecer que se deveria estudar apenas “O Livro dos Espíritos”, de Kardec, devendo a doutrina ser encarada apenas como ciência; outros  eram de parecer que o Espiritismo deveria ser filosófico e religioso. Denominava-se Doutrina Espírita apenas ao que constava de o Livro dos Espíritos; os estudiosos dos demais livros de Kardec, se chamavam Kardecistas.  Chegou-se a criar um chamado Espiritismo Puro, eqüidistante de “científicos” e “místicos”. Alem destes existia ainda um grupo  que se dedicava com afinco ao estudo das obras de J.B. Roustaing.
O quadro era realmente desalentador e representava verdadeira dispersão. Esse panorama perdurou até quando surgiu no cenário a figura apostólica do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, espírito moderado e pacificador, que, assumindo a presidência da Federação Espírita Brasileira, conseguiu reduzir as proporções da dispersão generalizada, ate então prevalecente. Se ele não conseguiu equacionar os gigantescos problemas com que deparou, pelo menos, evitou que eles alcançassem maior amplitude, o que fez ate o início do ano 1900, quando adoeceu, vindo a desencarnar no dia 11 de abril desse mesmo ano. Bezerra deixou um movimento espírita com linhas bem mais definidas e com horizontes bem mais desanuviados.
Nesta altura dos acontecimentos, o espiritismo já estava alastrando suas raízes pelos estados brasileiros. Várias entidades foram criadas em âmbito estadual, surgindo grandes vanguardeiros em muitas cidades brasileiras. O trabalho incomparável destes grandes homens representou um verdadeiro embate de pigmeus contra gigantes, mas eles, com suor e lágrimas conseguiram implantar a bandeira do espiritismo em terreno, até então árido. No estado de São Paulo, pioneiros espíritas da estirpe de Batuíra, Anália Franco e Caibar Schutel. Em Minas Gerais, Eurípedes Barsanulfo; José Petitinga, na Bahia e o major Viana de Carvalho, percorrendo vários estados brasileiros, fundando federações e centros espíritas, representavam um grandioso esforço para que a Doutrina dos Espíritos se consolidasse de forma definitiva e tantos outros que foram surgindo em todos os quadrantes do Brasil. A conceituação espírita de Ciência, Filosofia e Religião, passou a ser consagrada pela imensa maioria dos seguidores da Doutrina.
A Doutrina Espírita é sinônimo de Espiritismo. A sua estrutura não comporta qualquer outro gênero de ramificação. A doutrina dos espíritos, ou terceira revelação, foi codificada por Allan Kardec, tem estrutura própria e contornos definidos, jamais podendo ser confundida com movimentos paralelos ou seitas divorciadas daquilo que o emérito mestre francês estruturou nas obras fundamentais do Espiritismo, e que representa a súmula de tudo aquilo que o Espírito de Verdade, prometido por Jesus Cristo, veio revelar à humanidade sofredora.
Podemos dizer que, Bezerra de Menezes foi o consolidador da Federação Espírita Brasileira e o orientador e chefe do Cristianismo espírita entre nós. Ele nasceu em 29 de agosto de 1831, no estado do Ceará. Formou-se médico com muitas dificuldades, fazia literatura e foi chamado de  o “jornalista elegante”. Foi chamado o “médico dos pobres” e não tardou a ser chamado pela política. Era militar e quando foi eleito teve que renunciar à caserna para se engajar na política partidária. Foi também deputado geral, hoje federal, pelo partido Liberal contra o partido Conservador. Combateu os desmandos, as roubalheiras, os escândalos. Durante sua atividade política nenhuma questão social deixou de ter nele um pioneiro: o trabalho, o capital, a escravidão, a saúde pública, a universidade.
                Ainda não existia Allan Kardec no mundo filosófico e Léon Rivail era apenas um ilustre professor de Humanidades em Paris, e já a Corte do império Brasileiro possuía um núcleo neo-espiritualistas, formado de elementos cultos e de responsabilidade, que irradiava por todo o País, por toda a América do Sul e até pela Europa as ondas do seu saber. A este núcleo de cientistas se deve, o preparo do terreno, onde mais tarde, seria lançada a semente do Espiritismo. Era o círculo homeopático. Desde 1818, o Brasil principiara a ouvir falar da Homeopatia. O patriarca da Independência correspondia-se com Hahnemann. A história não registra ainda o nome dos adeptos senão a partir de 1840, ano em que chegaram ao Brasil dois homens extraordinários, que não devem ser esquecidos pelos espíritas: Bento Mure, francês, e João Vicente Martins, português, depois brasileiro. A ação desses dois super-homens não pode ser contada em poucas palavras. Baste dizer: tudo quanto é raiz, tudo quanto é tronco, tudo quando é galho na frondosa árvore homeopática brasileira, tudo se deve aos dois pioneiros. Outros gozaram as flores, os frutos, o perfume. Outros plantaram em campos novos as sementes colhidas.
Bento Mure e Martins eram profundamente neo-espiritualistas. Ambos possuíam o dom da mediunidade. Mure, clarividente; Martins, Psicógrafo. Não se conheciam então as leis metapsíquicas. Reinava o empirismo nos trabalhos de inspiração. Mas quem ler Mure, em “Filosofia Absoluta”, verificará que, antes de chegar a nós a doutrina dos espíritos, ele se dava a transes mediúnicos. Foi devido a uma assistência invisível constante que puderam, os dois, numa terra estranha e ingrata, que tanto amaram, amargar um apostolado inesquecível, recebendo em paga do bem que faziam o prêmio reservado aos renovadores: a perseguição, os ataques traiçoeiros,as ofensas morais e o encurtamento da própria vida. Foram os grandes médicos dos pobres, que o Brasil conheceu. É ainda a Martins que devemos a introdução, em nosso país, da irmãs de caridade e dos princípios vicentinos, em 1843. Ainda na continuação desta linha homeopática, lembramos mais dois notáveis nomes, como pioneiros, no espiritismo, Melo Morais e Castro Lopes.
A cura homeopática envolvia, como envolve ainda hoje certo mistério para o leigo. Nada mais estranho do que a ação rápida, segura e suave de um medicamento diluído até o absurdo. O médico mais materialista, mais ateísta, aparecerá sempre, diante do doente, com uma auréola de misticismo. Ora Bento Mure e Vicente Martins, falavam ainda em Deus, Cristo e Caridade quando curavam e quando propagavam. Aplicavam aos doentes os passes, como um ato religioso. Não o faziam por charlatanismo. Hahnemann recomendava esse processo auxiliar da homeopatia. Foram os homeopatas que lançaram os passes, não os espíritas. Estes continuaram a tradição.
É interessante constatar que José Bonifacio de Andrada e Silva aparece na história da Homeopatia e na história do Espiritismo, em nossa terra, como dos primeiros experimentadores. Contudo, o grupo espírita  mais antigo, que se teria reunido no Rio de Janeiro, foi o de Melo Morais, homeopata e notável historiador.  Freqüentavam  este grupo o Marques de Olinda, o Visconde de Uberaba, o general Pinto e outros vultos notáveis da época.
Isso se teria dado antes de Kardec, por volta de 1853, segundo o” Reformador” de primeiro de maio de 1883. Por isso, o primeiro período espírita é contado desse ano até 1863. O segundo, de 1863 até 1873, o terceiro de 1873 a 1883. O quarto é contado de 1884 a 1894, o quinto de 1894 a 1904, o sexto de 1904 a 1914. Graças ao fato de começar o espiritismo pela nata social, as primeiras noticias de imprensa lhe foram favoráveis, ou pelos menos não lhe foram contrárias. Quando o livro dos espíritos chegou à Corte, já encontrou um meio propício para a sua divulgação. Além de comentários da imprensa, começaram a circular, folhetos sobre a doutrina. Ao terminar o primeiro período em 1863, o espiritismo já era um assunto sério. O segundo período começa com a primeira contestação ao espiritismo. Com um artigo debochado e burlesco, o Diário da Bahia, transcrevera artigo datado de 27 setembro, do Dr. Déchambre extraído da “Gazette Médicale” ao qual os Drs. Luís Olímpio Teles de Campos, José Álvares do Amaral e Joaquim Carneiro de Campos subscreveram uma réplica, publicada no dia 28 do mesmo mês. Foi este artigo que colocou o Brasil em destaque aos olhos de Kardec (Revue Spirite) e marcou, por isso, o início de uma nova fase, na qual apareceram os primeiros centros espíritas nos moldes preconizados por este (Revue Spirite, 1864), quer na Bahia,, quer no Rio, em Sergipe e outros estados. Em 1869, saiu a nossa primeira revista espírita no Brasil: “O Eco de Além Túmulo” monitor do espiritismo no Brasil. Ao entrar o espiritismo mundial na sua segunda época, que principiou com a morte de seu codificador, em 31 março de 1869, não havia ainda entre nós, como quiçá em parte nenhuma, salvo Paris e América do Norte, senão esses grupos particulares, mais ou menos cultos. Já era, entretanto, crescido o número de adepto, contados principalmente entre médicos, engenheiros, advogados, militares, professores e artistas. Bezerra de Menezes, a esse tempo, se entretinha apenas com livros religiosos. Bezerra, repelia semelhante doutrina por ser muito católico. Ele tinha sólido conhecimento em teologia e graças a isso, sua conversão foi um mero fenômeno de recordação. A morte súbita de Kardec, deixara o espiritismo sem chefe e os pretendentes ao cargo apareceram em todos os pontos. Todos queriam uma união dos espíritas em torno de um centro diretor. Todos, porém, queriam ser este centro. O Brasil, refletia a mesma divergência e competição.  Alguns resolveram criar no Rio de Janeiro, um núcleo regular para dirigir o espiritismo e orientar a propaganda. Esta sociedade fundada em 2 de agosto de 1873 com o nome de Confucius, não era uma homenagem ao grande filósofo chinês, mas a um espírito, que vinha desde algum tempo, nos trabalhos particulares do Dr. Sequeira Dias, ensinando elevados princípios de moral. Aí entrou o elemento homeopático com preponderância. Alguns de seus membros tornaram-se mesmo, com o tempo, notáveis médiuns curadores, que só empregavam a homeopatia. Nomes como o Dr. Bittencourt Sampaio aparecem nesta diretoria que tem como presidente o Dr. Sequeira Dias. A divisa da sociedade era: “Sem caridade não há salvação”. Uma das formas da caridade era curar pela homeopatia. Ainda nesta fase, continuava, no mundo invisível, o apostolado de João Vicente Martins, falecido em 1854, e Mure, em 1858. Ao grupo Confucius, que durou menos de 3 anos, se deve a tradução das obras de Kardec, a primeira assistência gratuita homeopática, a primeira revelação do nome do guia do Espiritismo no Brasil. O deputado Bezerra recebeu uma dessas traduções do Livro doa Espíritos e em uma hora de viajem de bonde, onde ele não tinha o que fazer começou a leitura: não encontrara nada de novo, no entanto aquilo tudo era novo para mim...eu já lido ou ouvido tudo o que se achava no livro dos Espíritos. Parece que era espírita inconsciente, ou com se diz vulgarmente, espírita de nascença.
 O Grupo Confucius era espiritista puro. O art. 28 dos Estatutos adotava somente o Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns. Os Kardecistas principiaram a reclamar. Achavam que o espiritismo puro, sem o Kardecismo, não vingaria no meio popular, numa nação visceralmente cristã. A primeira propaganda deveria ser calcada no Cristianismo. Apoiado no Evangelho, na moral de Jesus, no Kardecismo enfim, o êxito seria uma questão de tempo. Essa opinião era tratada com ardor. Os kardecistas queriam fechá-la.
O “Guia”procurava a conciliação no terreno puramente espírita.
“Nossa missão, como a vossa, é de virmos ao encontro da boa vontade. Cristo disse: “Quando vos reunirdes em meu nome, estarei no meio de vós”. A nós, que não somos o Mestre, cumpre o dever de assistir-vos, encorajar-vos e dizer-vos: Homens de boa vontade, que a fé, a caridade, a união animem vossos corações, para que os bons espíritos sejam convosco. Animados desses sentimentos, que a todos almejamos, vereis aumentar as vossas forças, decupletar os meios de fazer o bem. E se tiverdes humildade para reconhecer que estes fatos são dons de nosso Pai e não o efeito de nossa personalidade, as bênçãos descerão sobre vós e tereis a glória de haver colocado a mão na obra de regeneração, aplicando a lei do progresso. Coragem,fé,  perseverança e seremos sempre convosco. Confucius”.
O espírito Kardec explicava: “Trabalhar na vinha do Senhor é levar aos  vossos irmãos a coragem, a consolação, a resignação  e sobretudo a esperança, quando encarnados e indicar, aos desencarnados, a via da felicidade que perderam. Trabalhai sem cessar e sereis assistidos, esclarecidos e abençoados”.  
Mas o espírito, a quem todos rendiam homenagem, em quem o próprio Confucius e o próprio Kardec, para só falar dos grandes, reconheciam um missionário para o Brasil, parecia apoiar os Kardecistas. Em suas raras e preciosas mensagens, repetia sempre:
 “O Brasil tem a missão de cristianizar. É a terra da fraternidade. A terra de Jesus. A terra do evangelho. Não foi por casualidade que recebeu desde o berço o leite da religião cristã. Não foi sem significação que a viram os primeiros navegadores debaixo do Cruzeiro do Sul. Na nova era e próxima, abrigará um povo diferente pelos costumes cristãos. Cumpre ao que ora ouve os arautos do Espaço, que convocam os homens de boa vontade para o preparo da Era Nova, reconhecer em Jesus o chefe espiritual. Com o Evangelho explicado à luz do espiritismo, a moral de Jesus, semeada pelos jesuítas e alimentada pelos católicos, atingirá a sua finalidade, que é rejuvenescer os homens velhos, que aqui nascerão ou para aqui virão de todos os pontos do globo, cansados de lutas fratricidas e sedentos de c onfraternidade. A missão dos espíritas no Brasil é divulgar o Evangelho em espírito e verdade. Os que aqui quiseram bem cumprir o dever, a que se obrigaram antes de nascer, deverão, pois, reunir-se debaixo deste pálio trinário: Deus, Cristo e Caridade. “onde estiver esta bandeira, aí estarei eu, ISMAEL”.
Em vez de união e harmonia foi a divisão e a discórdia, que surgiram, enfraquecendo o Grupo, para o extinguir em menos de 3 anos. Os Kardecistas o foram abandonando e fundando, nos próprios lares, ou em certos lares, grupos particulares para o estudo exclusivo do “Evangelho segundo o Espiritismo”. Em 26 de abril de 1876, um grande número fundou a primeira sociedade evangélica regular denominada “Sociedade de Estudos Espíritas,” Deus,Cristo e Caridade”. Um dos chefes, Bittencourt Sampaio, presidia os trabalhos e receitava homeopatia sob inspiração. No dia 11 de setembro de 1878, o advogado Antonio Luiz Sayão, vendo moribunda e desenganada a esposa, resolveu acompanhar Cândido de Mendonça até Bittencourt para pedir uma receita aos Espíritos. A homeopatia indicada curou-lhe a mulher em pouco tempo e conquistou para o Kardecismo um dos seus maiores valores. Contemporânea da de Kardec, a obra de Roustaing já era estudada aqui. Bittencourt era rustanista e sayão se tornou o seu melhor discípulo. Não havia ainda fronteira entre Kardecista e Rustanista.
Mas continuou também nessa sociedade a separação entre místicos e científicos, onde só deveria existir cristãos espíritas. Os místicos abandonaram-na e foram fundar em 2 de março de 1880, “a Sociedade Espírita Fraternidade”,levando consigo, segundo diziam, o estandarte de Ismael. Queriam, portanto, ser o centro diretor de Espiritismo brasileiro, do qual Ismael era considerado o chefe espiritual.
Augusto Elias da Silva, ao lançar em 21 de janeiro de 1883, o Reformador, que havia de marcar o inicio do quarto período (1883-1893), era ainda neófito e quase desconhecido. Pelo raciocínio, antes que pela observação, a bastilha de prevenções foi sendo abalada e certo dia, caiu. Rendeu-se de corpo e alma e com tamanho ardor que, entre tantos veteranos, foi quem primeiro escreveu, em junho de 1882, uma réplica à pastoral do mesmo mês e ano em que o chefe da igreja, no Rio de Janeiro, declarava: “Devemos odiar pelo dever de consciência”. Não conseguindo inserir o artigo em nenhuma folha, entrou a alimentar o desejo de possuir um jornal próprio ao serviço da idéias liberais. E quase sozinho, com muitas dificuldades, concretizou a idéia 6 meses depois. O órgão evolucionista O Reformador propunha-se a renovar os costumes. Elias foi à porta liberal de Bezerra de Menezes. Este o aconselhou a seguir naquele momento uma política discreta. Não revidar com as mesmas armas, opor contra o ódio, o amor. Era conveniente conquistar e não combater o católico. Enquanto o Dr. Antonio Pinheiro Guedes, médico homeopatista, com o pseudônimo de Guepian, o marechal Francisco Raimundo Ewerton Quadros, com o pseudônimo de Freq, procediam à analise serena da Pastoral e dos ataques católicos, Bezerra de Menezes, com as iniciais A.M.,comentava o catolicismo do ponto de vista geral, revelando grande cabedal teológico e de história. Desta forma, coube ao Reformador a glória de publicar as primícias daquele que seria depois, a partir de 16 de agosto de 1896, o maior escritor, o maior orador, a maior opinião do Kardecismo brasileiro. Era imprescindível a união dos espíritas. O Reformador defendeu, por isso, o ponto de vista da União Espírita do Brasil, que era criar “um centro, no Rio, formado por delegados de todos os grupos. Em primeiro de janeiro de 1884, Elias e seus amigos Quadros, Xavier Pinheiro, Fernandes Figueira, Silveira Pinto, Romualdo Nunes e Pedro de Nóbrega, fundam a Federação Espírita Brasileira, sob o acróstico: Reunindo em forte, indissolúvel laço A crente comunhão espírita brasileira. O Reformador passa a ser o órgão da Federação. Bezerra não assinara a ata de fundação. Ainda não havia chegado sua hora. O Presidente Quadros, começa então a realizar conferências e consegue adesões importantes para o espiritismo como o Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz, o grande homeopata, o Dr. Castro Lopes, o filólogo, o homeopata, o escritor estimado e muitos outros. Em  16 de agosto de 1886, aconteceu um fato realmente extraordinário. “Um auditório de cerca de 2 mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra de ouro do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, que proclamava aos quatro ventos a sua adesão ao Espiritismo. Desde este memorável dia, o Kardecismo passou a ter um chefe no Brasil. Espíritas, Kardecistas e rustanistas ficaram contentes. Mais adiante, os “científicos o denominaram o primeiro dos místicos”.
No entanto, Bezerra de quando em vez se magoava pela desunião no meio espírita e concita os confrades à harmonia, à fraternidade. Não era possível admitir que gente bem intencionada, desejosa de reformar os maus costumes, de dominar as paixões de homem velho, de mudar a face das coisas, de espiritualizar e cristianizar o meio brasileiro, não fosse a primeira a dar o exemplo de tolerância, unindo-se entre si. A divergência era por questiúnculas de interpretação. Urgia que aparecesse alguém com prestígio maior que o de todos, capaz de fazer em volta de si um partido dominante. Urgia, sobretudo, tirar de certos indivíduos mal intencionados, por delicadeza chamados de “obsidiados”, a liberdade de doutrinar em nome do espiritismo, que adulteravam consciente ou inconscientemente. Duas entidades intra-muros disputava e hegemonia:  a União Espírita do Brasil e a Federação Espírita Brasileira. Em 5 de janeiro de 1889, manifestava-se Allan Kardec através da mediunidade de Frederico Pereira da Silva Junior, o Frederico Júnior, com as “Instruções de Allan Kardec”. Divulgadas as “instruções” Bezerra foi um primeiros que julgaram a comunicação preciosa. Tendo sido convidado, aceitou a presidência da Federação. Convidou, então todos para um congresso que teve lugar em 31 de março de 1889. Convidou a todos para porem de lado qualquer das entidades existentes e formar um “Centro” e logo após era, assembléia constituinte, com a presença de 34 grupos da Corte “decretado o regime federativo como lei orgânica do Espiritismo no Brasil”. Animado  por uma comunicação de seu guia espiritual, Santo Agostinho (A união dos espíritas e sua orientação vos foi confiadas”), desdobrou-se em atividade. Mas continuava a dissenção interna. Não se entendiam os místicos e os científicos. Então o ministro da justiça baixa uma lei declarando fora da lei o baixo espiritismo. Foi uma confusão geral, mas isto serviu para unir os espíritas em torno daquela que era a mais representativa das sociedades, a Federação. Os 4 inimigos do espiritismos cantavam hinos de louvor. O positivismo, arvorado em mentor da recém proclamada república. O materialismo, liberto o Estado da tutela da igreja católica. O racionalismo campeava no Congresso, na Imprensa, etc. O clero, se não estava contente com a situação, acendia contudo velas pelo seu adversário estava metido no código penal.
 Mas para suavizar tantas vicissitudes, veio de Nápoles a noticia de que César Lombroso e outros...diante dos trabalhos de Eusápia Paladino, proclamavam a existência da Metapsíquica. No começou um movimento metapsíquico. O espiritismo, nas rodas cultas, não era mais cuidado como filosofia ou religião, mas como ciência. O decênio 1883-1893, predominantemente cientifico. A presidência foi confiada a Dias da Cruz, espiritista puro, isto é, nem “cientifico”, nem “místico “. O novo rumo foi traçado no editorial intitulado “Sectarismo”, que precisamos conhecer neste trecho: “O espírita está, pois, em seu verdadeiro posto quando se coloca entre o homem de ciência e o homem de fé, não possuindo as crendices de um, nem por igual as negações de outro. Não nos desviemos de nosso lugar. Postos entre a fé e a razão, evitemos os exageros do sectarismo, pois que ele é o verdadeiro inimigo. Nesta época, começa também a assistência aos necessitados na Federação e ela submete a mesma ao seu jugo. A lição moral disso tudo é esta: os que sustentaram a Federação por causa da Assistência permaneceram em ambas até o fim. A lei talvez seja esta: Os que defendem o Espiritismo,  não pelo que encerra de cientifico, filosófico, religioso ou utilitário, mas pela caridade que ele pode praticar, esses ficarão até o fim. E serão salvos.
                               Finalidade imediata do Espiritismo.
A filosofia moral da antiguidade, afirmou, pela boca de Sócrates, que só é útil o conhecimento que torna os homens melhores. O mesmo devemos dizer relativamente às religiões.  Seu  valor fundamental é promover o aperfeiçoamento  moral da criatura. Quando as crenças se reduzem a um simples mecanismo devocional, com práticas externas apenas, sem alterarem a  natureza espiritual do homem, perdem sua finalidade nobre de reintegrar a criatura na legítima adoração a Deus, num método honesto de viver e no espírito de  solidariedade humana.
Cristo é um educador e seus princípios são essencialmente reformadores. O Céu, segundo o seu pensamento  constante, só se conquista através dos estreitos caminhos do amor. O espiritismo, na sua parte moral, é uma reafirmação da lei evangélica, de modo que ele tem de ser antes de tudo, uma escola de reforma espiritual, onde cada um aprenda a conhecer-se e a corrigir-se de seus milenários erros e inferioridades. Eis a razão por que não se admitir Espiritismo sem Evangelho. Se ele fosse apenas uma seita, com rituais e preceitos copiosos, iria somente aumenta o número de credos, sem maior alcance evolutivo. Mas não é assim. É seu objetivo transformar maus em bons, egoístas em generosos, violentos em mansos, perversos em compassivos, ateus em crentes.
São bem práticos, pois, os fins imediatos do espiritismo. Não se trata, como a ignorância propala há anos, de uma doutrina de mortos em antagonismo com a vida cotidiana. Ao contrário, ela valoriza a vida. A existência mais inexpressiva. A verdadeira religião, a que Cristo nos ensinou há mais de dois mil anos, entre aflições e amor, começa no coração do homem.
Eis, pois, o Espiritismo, tão incompreendido e tão agredido, a cumprir em elevado programa no novo milênio, melhorar a sociedade, aperfeiçoando os indivíduos, tratar do organismo enfermo, medicando as doentes que o compõem.
                “Permita Deus que os espíritas a quem falo, que os homens, a quem foi dada a graça de conhecerem em Espírito e verdade a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, tenham a boa vontade de me compreender, a boa vontade de ver nas minhas palavras unicamente o interesse do amor que lhes consagro”.  Allan Kardec.

Bibliografia pesquisada: TOMO l da FEB- Princípios e Fins do Espiritismo- Subsídios para a História do Espiritismo no Brasil

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

 Porque sou  Tradicionalista
                Inspirado, no meu grande mestre do tradicionalismo, o saudoso, Euclides Pereira Soares, principal responsável pela implantação do culto às tradições Gaúchas em Santa Cruz do Sul, autor do primeiro Jornal tradicionalista do Estado, O Tropeiro, fundado em 1960, devo inicialmente dizer que sou tradicionalista, porque:
A tradição e o instinto tradicionalista, estão embasados em dois fundamentos indestrutíveis:
-a natureza do Criador, eterno e imutável e a natureza humana com sua reverência elementar, perante os antepassados, com ligação essencial à sociedade e sua herança heráldica transmitida pelas gerações do passado.
                Sobre estas bases, eternas como as montanhas de granito, nas quais arde a tríplice chama da divindade, profunda como os mais recônditos mistérios do ser humano, sagrada como os mais longínquos ecos da voz de DEUS, se constrói o tradicionalismo do homem bom e verdadeiramente humano.
                Não é um sentimentalismo que o vento traz e o vento leva, nem a melancolia de fulgurantes ocasos, nem o calafrio dos museus e das recordações históricas.
                É a convicção haurida de premissas inatas e evidentes. É a solene afirmação do que DEUS deu de bom e cristamente humano aos nossos avoengos.
                É a  atitude de reverência e amor elementar depositada pela providência no berço de cada ser humano.
                Assim entendo o tradicionalismo, e não há, salvo melhor juízo, outra concepção sobre o assunto.
                O tradicionalismo, é um valor positivo, sem visos de polêmicas ou menoscabo de outras culturas.
                O tradicionalismo verdadeiro é nobre demais para viver de flutuantes paixões, alimentar animosidades contra outros homens e outros modos de ver e pensar.
                Acho até que, a única maneira segura de lançar pontes humanas além fronteiras e não muros, raciais e lingüísticas, é o respeito perante a própria tradição, pois só o homem dotado de reverência elementar perante esta Tradição, possui a necessária envergadura ética para alçar vôo, rumo ao reino do humanismo total.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Buenas...                      
                                      Fandangos na Semana Farroupilha?
        Já tinha dito que não me envolveria mais com assuntos pertinentes ao Enart e outros do nosso município, até para evitar discussões que não levam a nada. Só quero esclarecer aos desavisados ou mal-intencionados, não sei, que a Semana Farroupilha de Santa Cruz do Sul, começou em 1966 e desde esta época, sempre foram feitos, FANDANGOS, em nossos galpões. O que isto quer dizer? Os que fazem os cfors, e eu já os fiz todos, porque ajudei a criá-los nos 10 anos de conselheiro titular do MTG, deveriam saber, é que, o fato folclórico se torna tradicional, a partir de 25 anos. 
      Então é muito simples, já faz 44 anos em que na Semana Farroupilha de Santa Cruz do Sul, são realizados fandangos. Portanto não cabe nenhuma discussão, nenhuma consulta a outra autoridade a não ser a pura e simples Tradição que não pode ser modificada ao prazer daqueles que desconhecem a história e que ainda chamam os mais antigos tradicionalistas de ultrapassados. Ora, meus senhores, se manter a palavra empenhada, ser uma pessoal leal, respeitar as autoridades constituídas, respeitar seus avoengos, os bons feitos dos nossos antepassados, respeitar a história deles, é ser ultrapassado, então eu o sou com muita honra, porque não sou tradicionalista de plantão.
      Nunca traí meus amigos a troco de um cargo, ou coisa parecida. Em suma, voltando aos fandangos, pergunto: quantos fandangos os nossos CTGs fazem durante o ano? Praticamente nenhum. Nem na posse ou aniversário, salvo raras exceções, fazem o nosso tradicional fandango. É só jantar-baile ou baile a gaucha, não é assim? 
      Portanto, volto a frisar, acima de 25 anos, vira Tradição e não pode ser modificado. Então não tem a desculpa da mostragem aos nossos convidados a paisana. O que os nossos visitantes querem mesmo, é ver o que tem de mais puro nos nossos CTGs, porque dançar, eles dançam em qualquer lugar.
Os nossos CTGs devem ser, Templos de dignidade e amor à Terra. Somos uma sociedade diferente, não é o que todos dizem? 
      Vamos manter os padrões já adquiridos com muita luta, pelos antigos tradicionalistas, que eram até apedrejados em nossa cidade, por vestirem uma bombacha ou roupa de prenda. Nomes como Euclides Pereira Soares, Norberto Adam, Artur Bugs de Andrade, Armindo Lemos, Ernestor Cardoso, Ercides Figueiredo, Ari de Freitas Lopes, Juarez de Freitas Lopes, Alfredo dos Santos, Paulo Bergenthal, só para citar alguns que não estão mais conosco, deveriam ser honrados, porque essa luta inicial deles, foi carregada de desprezo e de deboche em muitas ocasiões, numa terra ainda inóspita ao tradicionalismo gaúcho.
Isto sim, meus amigos, é Ser tradicionalista. 
         Portanto, um tradicionalista nunca é ultrapassado, ele é na verdade, o espelho do passado. 
O Movimento não pode ultrapassar a barreira da Tradição. Esta sim, tem que estar acima de qualquer novo invento, que não se justifica em nenhum momento.
         Ou somos Tradicionais ou somos modernos, os quais, daqui ha algum anos, já permitirão a entrada nos nossos Templos, dos brinquinhos, das drogas, dos bailões que infelizmente infestam a nossa sociedade. 
         A atualização não pode corromper a Tradição. Mantenhamos a nossa sociedade tradicionalista pura, intacta, daquilo que poderá apodrecê-la, dos cupins que poderão corroê-la, dos aproveitadores da hora.
         Inferindo, não estou aqui para polemizar com ninguém, até porque Tradição é também cultivar e preservar as amizades e quero pedir vênia, se algum dia feri ‘alguém porque não era essa a minha intenção. Quem me conhece verdadeiramente sabe, que o que tenho que dizer, o digo de peito aberto, olho no olho, como sempre fiz.
        Estou ao dispor daqueles que de mim precisarem, sem nenhuma mágoa ou rancor de quem quer que seja. Para encerrar, lembro desta frase que deveria estar no frontispício mental  de cada um: Ninguém colhe um presente, nem semeia um futuro, se não houver um passado.
acho que com este esclarecimento, fecha-se a página da polêmica, na nossa Semana Farroupilha.
              Antonio Pereira dos Santos. Tradicionalista.