quinta-feira, 13 de novembro de 2014


                                                                         MEMÓRIAS!

                Aos 22 dias do mês de agosto de 1958, saímos de Barros Cassal, eu, então muito menino, minha irmã Terezinha, mais nova que eu, a Eva, o pai e a mãe, Maria Eufrásia Falleiro dos Santos. O caminhão que trazia a nossa mudança era um F8 do DAER. O meu pai, José Altivo dos Santos, era feitor deste Departamento e estava vindo transferido para Santa Cruz do Sul.

                O pai era muito preocupado com o estudo dos filhos. Em Barros Cassal, na época só tinha curso primário. Os irmãos mais velhos, a Genoveva, esposa do Euclides Pereira Soares, já morava na cidade, há algum tempo e com ela morava o mano Gentil que estudava no Mauá. O mano Flávio, era soldado antigo do 8º RI, hoje 7º BIB, o Dão Real, já estava trabalhando de motorista no DAER e havia casado recentemente com Flora Pereira Prates, agora Pereira dos Santos, a Nega como é mais conhecida. O Cliff, estudava em regime de internato, na Escola Normal Murilo Braga de Carvalho, que formava professores rurais.

                Ficaram ainda em Barros Cassal, o Allão, na época agricultor e a Odir morando no passo do Rio Ligeiro, onde nós tínhamos uma estância.

A Ofhir, morava em rio Pardo, onde seu esposo, Valdomiro Mantelli era barqueiro, isto é, fazia as travessias do rio Jacuí de barca. Ainda não havia sido construída a ponte sobre o Rio. O Adão Régis (Bebeto) estudava no São Luiz.

                Foi muito marcante para mim esta viagem, principalmente a saída da localidade, onde deixamos muitos amigos de infância, todas as brincadeiras, as nossas jornadas pelos poços e matas existentes, comendo frutos silvestres, colhendo pinhão, brincando de mocinho e bandido, de Tarzan, jogando muito futebol, andando a cavalo...

                Ali pelas 15 horas estávamos chegando à rua Gaspar Bartholomay número 212. Faço um parênteses para dizer que a casa onde iríamos morar era a mesma que tínhamos no interior de Barros Cassal (Passo do Ligeiro). Ela foi montada aqui em Santa Cruz do Sul. Uma parte da moradia ficou ainda lá, para moradia da mana Odir com sua família.

                Ficou na minha memória, à hora da chegada em Santa Cruz, o Programa Chegou o General da Banda, animado pelo Egon Iser, onde tocava a música Lichteinstaine Polka. Eu estava no 4º ano primário e fui estudar juntamente com a Terezinha no Grupo Escolar Estado de Goiás.

Foi muito difícil para um serrano, fazer amizades com a gurizada da cidade, mas aos poucos fomos conquistando nosso espaço, primeiro pelo futebol, onde fui apelidado de Garrincha, depois pela boa leitura fiquei sendo o declamador oficial da Escola.

                Em 1959, fui eleito o 1º presidente do Grêmio Estudantil recém fundado. Quando o 1º bispo veio para a nossa cidade, fui o orador oficial, quando da sua recepção no campo do futebol Clube Santa Cruz e a nossa escola com seu Orfeão, comandado pela professora Anita Horn fez as honras da casa à Dom Alberto Etges.

A diretora da Escola na época era a saudosa Prof.ª Elisa Gil Borowsky. As minhas demais professoras, da época, eram, Lúcia Fairon, Cacilda Gruendling, dona Heleninha, dona Cleonice, dona Zaira, dona Célia, etc... .

                Muitos colegas de turma reencontramos na estrada da vida. Foi nesta época que o tradicionalismo entrou na minha vida. O cunhado Euclides Pereira Soares, homem de muita visão, de inteligência impar e de um dinamismo a flor da pele, conseguiu depois de muitas dificuldades, fundar um Centro de Tradições Gaúchas em Santa Cruz do Sul.

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