quinta-feira, 2 de março de 2017

                                             GAÚCHO DA FRONTEIRA!

                No final da década de 1970, quando o Gaúcho da Fronteira começava a fazer sucesso principalmente com a música Varifun, o CTG Tropeiros da Amizade o contratou para um espetáculo no pavilhão central do Parque da Oktoberfest, seguido de um baile gaúcho.
                Tudo preparado para o dito evento e aguardava-se, com ansiedade a chegada do artista. Já passava das 22 horas e nada do Gaúcho chegar. Quase ninguém o conhecia, a não ser pelos seus discos. Estava na portaria, o tradicionalista Juarez de Freitas Lopes e de repente chegou um sujeito pilchado querendo entrar sem pagar ingresso.
                 Foi barrado pelo Juarez dizendo que o mesmo teria que pagar sua entrada para ver a apresentação tão esperada por todos e quem conheceu o Juarez, sabia que ele era duro na queda. Foi então que o Gaúcho da Fronteira se identificou, esclarecendo a situação e logo todos nós confraternizávamos com o Xiru, que realmente era muito divertido.
                Foi uma apresentação de sucesso e um baile dos melhores, dando um bom lucro para o CTG. Lembro que veio lhe acompanhando o Antoninho Duarte, exímio violonista, que por muitos anos, fez dueto com o Albino Manique, na famosa Dupla Mirim.
                No outro dia, convidamos os dois para irem ao CTG, almoçarem conosco onde fizemos outra grande festa, inclusive gravando o programa Grande Rodeio da Tradição com a participação efetiva dos dois artistas.
Este programa nós apresentávamos desde 1965, na sua segunda fase, tendo uma parceria, primeiro com Elemar Aloysio Preuss e depois com Valdemar Mancilhas Rodrigues, transmitido pela Rádio Santa Cruz, aos domingos pela manhã e foi ao ar até 1985.
                Recordo também que muitas amizades foram forjadas nesta festividade como do Gaúcho com a professora Maria Nilza Paz que foi recepcionado em sua residência. O antoninho Duarte ficou na casa do Geraldo Schmidt (Buenacho).
                Naqueles tempos, as coisas eram mais naturais e os artistas eram mais simples, não exigindo, por exemplo, hotéis ou mordomias que poderiam encarecer suas contratações.
                Bons tempos aqueles!

                      ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

             (Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

                                                       NÃO JULGUES!

                “A terra é a grande escola das almas em que se educam alunos de todas as idades. Não enxergues inimigos nos semelhantes de entendimento imperfeito ou diferente. Muitos deles não saíram ainda do jardim de infância espiritual”. (Emmanuel).
                A crítica mordaz, a crítica destrutiva e o julgamento prematuro, estão entre os defeitos mais difíceis de extirparem do nosso coração. Estas mazelas criam formas-pensamentos que se alastram e impregnam em nossa aura, que fica escura e espessa, impedindo a entrada de luz e compreensão em nosso ego.
                Um provérbio dos índios americanos, diz muito sobre o assunto: “Não julgueis outra pessoa enquanto não tiverdes andado uma milha usando o mocassin dela”. Ademais, aquele que critica por criticar, que julga sem conhecimento de causa, tem no fundo da alma, uma mágoa muito grande e é um ser infeliz.
                O ser humano, precisa aprender a se entender mutuamente. Retirar de seu coração o ódio e a malevolência. Já dizia o poeta: “Eu falo daquilo que meu coração está cheio”.
                Por isso, se quisermos que o outro mude primeiro eu tenho que mudar. Nunca apontar o indicador para o nosso próximo, mas o polegar para nós.
                Então, olhemos para dentro de nós e procuremos a parte lesada do nosso “eu”, curando-a. Removamos a trave do nosso olho e não o argueiro do olho do vizinho e vamos finalmente rever os nossos sentimentos, purificando-os e deixando que alegria e a paz sejam o apanágio de nossa fronte.
                Inferindo, que possamos com a luz Divinal iluminar nosso caminho, por que eu posso sim, melhorar a humanidade, sempre a começar pela reforma homem velho que ainda impera no meu imo.
                Enquanto, estivermos olhando o nosso próprio umbigo, estaremos egoisticamente, disseminando a desarmonia e a cizânia entre nós e os povos.
                Todos somos responsáveis nessa grande aldeia global!

       ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

                (Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

VIDA PASSAGEIRA!

Hoje estou aqui, amanhã não sei. É uma incógnita. Por isso canto triste como a própria definição do gaúcho no cantar do poeta, típico deste garrão do Brasil meridional.
No tisnar de cores cinzentas, envolvo um turbilhão de ondas, de avassaladora energia buscando sempre algo mais, para trazer em sua intermitência de ida e vinda.
E o sentimento dúbio na dicotomia da matéria e do éter, como ser desconhecido dos sentidos ainda embrutecidos, das calejadas fainas nos rodeios onde os pealos deixam por terra, esperanças e buscas desenfreadas da origem de tudo. Enfim, suas raízes!
Quando atingido o cerne das questões vivenciais, descubro como num relance os tons antes cinzentos, agora desanuviando para mostrar, as verduras e o viço da natureza viva e a luminosidade ofusca meus olhos acostumados à obscuridade da incompreensão, que tudo continua que a passagem é só aparente, que tudo se renova, inclusive o soma que abriga a alma do vivente sofrido.
E ela volta, num renascimento de imortal consequência e eu continuo respirando aqui e lá num andejar infindo, na vivaz eternidade.
Resta, a poeira dos cascos, das marcas deixadas pra trás. Mas a primavera haverá de chegar, porque tudo é cíclico na estrada da existência e o taita finalmente se levanta e segue a despacito, cumprindo aquilo que se propôs em tempos longevos.
Os feitos jamais serão esquecidos e as estrofes de seu canto continuarão na rima dos acordes celestiais que o acompanharão até o inconteste destino do Criador Universal.

ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.
(Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CLARINADAS DE ESPERANÇA!

No meu canto, trago clarinadas de esperança. Sou qual o cerne do angico persistente e tiro versos no reponte que nasce da alma em tropilhas incontroláveis no sabor embebido de ervas dos campos em flor, tisnado dos orvalhos umedecidos do céu que chorou à noite nas redondilhas do laço das magoas e reticências do hodierno viver.
Nos alambrados das existências, busco a essência daquilo que foi perdido na infância que parecia longa, mas que passou com um sonho fugidio.
Nos pessuelos ainda carrego os caminhos deixados a esmo e na retina, à querência onde o verde é mais verde e o céu é mais azul.
Os tempos antanhos virou farrapo na luta pela igualdade, liberdade e humanidade. Hoje duelo no campo das ideias, na busca do entendimento que há de unir os homens num só acorde de luminosa constância, onde os pirilampos virarão estrelas no costeio dos astros na imaginação do poeta, quando cai sobre as aguadas nas coxilhas e canhadas no fisgar de sonhos.
E o vento que cavalgo no meu flete no contraponto da gaita e do violão segue buscando o rumo qual timoneiro no comando de seu barco conhecendo cada curva, cada cheiro de mato e de pasto.
Mesmo estropiado pelos espinhos, a jornada prossegue indefinida, pela pequenez de minha compreensão, na condicionalidade do destino escolhido, mas sabendo que logo ali encontrarei guarida, na lindeza da flor, no olor de seu perfume embriagador e na suavidade dos planaltos designativos na indecifralidade do amor que rege a humanidade!

ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

(Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

UM NOVO MUNDO!

                               Herculano Pires, filósofo, escrito e jornalista, (1914-1979) nos diz que uma nova civilização, está surgindo aos nossos olhos, sob os nossos pés e sobre as nossas cabeças. Mas para que isso aconteça sem perdermos de vista de todo o equilíbrio cultural, já bastante abalado, temos de cuidar seriamente da motivação de nossos instrumentos culturais, a saber:
a)      A economia, que deve tornar-se universal rompendo os diques e as barreiras de um mundo pulverizado, para lhe dar a unidade necessidade e flexibilidade possível para o atendimento dos povos e das camadas diversificadas, afastando do planeta os privilégios e os desperdícios, a penúria e a fome. A duras penas, a nova mentalidade econômica já está se definindo em todas as civilizações, mas o egoísmo das camadas privilegiadas ainda impede a compreensão das exigências de fraternidade e humanismo dos novos tempos.

b)      A moral, que tem de romper os seus padrões envelhecidos de egoísmos e sociocentrismo, moldados em preconceitos de vaidade, ambição e prepotência, para elevar-se a novos padrões de humanismo, respeito por todos os seres humanos, até hoje espezinhados na Terra dos Homens, sem essa expressão de Saint-Exupéry que é um novo chamado à nossa consciência em termos evangélicos. Altruísmo- interesse pelos outros- humildade, fraternidade, tolerância e compreensão, amor, são essas as novas palavras de uma moral realmente cristã. A violência terá de ser expulsa da terra, com seu cortejo de brutalidades. É necessário, que o conceito da não violência se transforme na marca do Homem, no signo que o distingue do bruto, do primata inconsciente. A honra e a dignidade humanas são incompatíveis com a estupidez dos broncos, inamissíveis num sistema de civilização. Com adverte Fredric Wertham, a violência é um câncer social, que corroí e destrói toda estrutura de uma civilização. O homem verdadeiramente homem deve ter vergonha e horror da violência. Ser violento é ser amoral, pois quem não respeita os outros não respeita a si mesmo.

c)         A educação- que tem de renovar os seus conceitos básicos sobre seu objeto, o educando. Em primeiro lugar, a educação familiar, que dever basear-se na efetividade, nas relações de amor e compreensão entre pais e filhos. Educação com violência é domesticação. O mundo da criança não é o mesmo do adulto e este tem de descer a este mundo, voltar à sua própria infância para não esmagar a infância dos filhos. As pesquisas entre os povos selvagens mostraram que a essência da educação é o amor. Sem amor não se educa, deforma-se. Nos povos selvagens a educação não foi deformada pela ideia do pecado, pelo mito da queda do homem, que envolvera o mundo de violências redentoras capazes de aterrorizar um brutamonte, quando mais uma criança.

ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.(Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twitter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

                                                   ANO QUE FINDA!

                Ao chegar o fim do ano de 2016, quero externar os meus agradecimentos a todos que, de uma forma ou outra, prestigiaram os meus artigos que despretensiosamente escrevi.
                Com o intuito de mostrar uma experiência de mais de 50 anos no tradicionalismo gaúcho e também como cidadão de minha terra em outras áreas que milito e também no despertar de uma noção poética até então latente em meu subconsciente, que de forma abrupta abriu-se como a flor que se esconde à noite e no sol resplandece com pétalas macias.
                Sei que não agradei a todo mundo, tenho consciência disso e até a esses, quero agradecer porque serviram de instrumentos para o meu melhoramento, mormente no que tange ao orgulho e presunção, que vez ou outra, podem aparecer à nossa frente.
                Por isso, peço vênia e desculpem a este velho xiru por alguma improbidade ofensiva à suscetibilidade de cada um.
A minha intenção foi de sempre ajudar a sociedade e as pessoas em particular, a se auto melhorarem, começando pela reforma íntima de cada um, fazendo verdadeira assepsia, retirando os monstros que porventura possam habitar o imo de nosso ser.
                Por isso, rogo que a luz faça morada em nosso coração e que o clima do renascimento perdure o ano inteiro, desfazendo possíveis mal entendidos entre familiares e amigos, perdoando nossos inimigos, se os tivermos logicamente e finalmente fazer uma grande cruzada de paz e amor entre todos nós.
Inferindo, que toda a humanidade possa caminhar passo a passo, ombro a ombro, rumo à grande fraternidade universal, desiderato que deveremos alcançar.
                Que assim seja!

                ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

                                                                  PAPAI NOEL!


Sempre acreditei nos exemplos, a começar pelos meus pais, depois os irmãos mais velhos, os professores etc.
            Todos diziam pra mim que existia Papai Noel. Eu acreditei. Cada final de ano que chegava ficava apreensivo, pensando lá com meus botões, o que o bom velhinho traria naquele ano.
            Seria talvez uma vara de marmelo? Quanta arte tinha feito e a promessa se cumpria e a varinha famosa corria solta... Sabia de antemão dos doces que minha saudosa Maria Eufrásia preparava, com todo seu carinho de mãe desvelada que era.
Havia também e isso é o mais importante os exemplos que os mais velhos passavam. Seguia passo-a-passo essas condutas. O exemplo vem de cima.
Meu mundo era enorme. Embora fosse uma morada isolada no meio do campo, matas ao redor, riachos, picadas, cerros, talvegues. Era aquilo que conhecia e era maravilhoso.
O papai Noel era um ser de contos de fadas, de grande amor, de conduta irrepreensível, edificante enfim, bom por natureza. O que ele dizia, era lei.
Mãe Maria e pai José faziam de uma forma sutil a comparação que me marcou profundamente. Papai Noel, era o Cristo visível para nós.
Presentes, quase não havia, mas, a expectativa daquela noite dadivosa em que se recebia a visita de tão incrível criatura, descendo pela chaminé, deixava a petizada em êxtase. Era uma emoção indescritível.
Um pacotinho feito em casa, para cada um com seus nomes escritos e a felicidade estampada nos olhos brilhantes, no sorriso doce, na meiguice do semblante de cada filho, era também a felicidade de nossos pais.
O mundo ficava tomado de tal encanto que eu queria que aquele momento se tornasse eterno. Na verdade acho que, de certa forma, se eternizou, pois aquela emoção e alegria que sentia nos Natais de minha infância continuam renascendo todos os anos dentro de mim.
Por isso, gurizada de hoje, aproveitem o verdadeiro Papai Noel na vida do Mestre, renascido em cada coração de pais e filhos na grande harmonização que deve imperar na humanidade tão carente de luz, de paz e amor!
            Se, Papai Noel é isto, então acredito Nele ainda!
            Isto se chama felicidade!

ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e radialista.

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