quinta-feira, 26 de julho de 2018


BRIGA NO CTG!
                Lá pelos anos de 60 e 70 do século passado, existiam quatro CTGs em Santa Cruz do Sul, praticamente quase todos nascidos pela rivalidade um do outro. As encrencas eram muito constantes nas entidades seja em encontros, rodeios, festivais onde se reuniam. Sempre havia uma mal-querença entre pessoas das entidades envolvidas.
                O CTG Tropeiros da Amizade tinha um programa radiofônico desde final da década de 50, chamado de Grande Rodeio da Tradição. O CTG Rincão da Alegria, da mesma forma realizava também o seu programa chamado Ronda Crioula, os Lanceiros de Santa Cruz, Roda de Chimarrão, e o Estância Alegre, Pialando pelo Rio Grande.
                Pois bem, apresentava o programa dos Tropeiros Elemar Preuss, e este peão que vos escreve, na época devido a problemas pessoais, o Elemar, vez por outra agulhava, um membro de outra entidade pelo rádio.
                A coisa foi esquentando e num baile no CTG Rincão da Alegria com a presença maciça das entidades coirmãs, aconteceu um tumulto na copa, com um paisano que tinha pagado entrada, estava embriagado e dizia palavras grosseiras. Num dado momento, o patrão da entidade mais J.F.l. dos tropeiros e O.S. do Estância pegam o sujeito pelo cangote e atravessando o galpão, no meio da sala de danças, o jogam porta afora.
                No meio da confusão gerada, um componente do  Estância puxa de seu revolver e de sua faca e pensando tratar-se de uma agressão ao patrão de sua entidade, enfrenta a todos que se atravessavam na sua frente, inclusive o E.P. que tentou apartar.
                Foi um Deus nos acuda, era arma para todo lado e virou uma briga entre os Tropeiros e Estância.  J.F.L. e P.B. um de cada lado com sua turma prontos para uma carnificina. Todos armados e prontos para atirar. Por motivos óbvios, coloco só as iniciais, mas os mais antigos sabem a quem estou me referindo.
                Naquele momento raciocinei rápido e pedi ao mano Allão que segurasse o J. dentro do salão e consegui conduzir para fora o P.. Ninguém chegava neste senhor porque ele ameaçava de faca carneadeira ou três oitão. O E.P. quase foi esfaqueado tentando apaziguar.
                De mansinho, cheguei perto do Sr. P. e perguntei se ele conversaria comigo. Ele me olhou com os olhos arregalados de fúria e disse: “contigo eu converso”. Consegui me aproximar dele e nos afastamos do tumulto e então perguntei: o que tinha acontecido, porque ele ameaçava o J. e o E. e ele me disse que viu o J. tirando a força pra a rua, o Patrão de sua entidade que era o Sr.O.S.
Não era isso que tinha acontecido. Os dois estavam juntos tirando para fora do salão, o tal embriagado que nos referimos anteriormente.
                Custei a convencê-lo do fato e daí ele me disse que há tempos escutava o programa de rádio e via certas provocações que o deixavam muito magoado. Finalmente ele guarda suas armas e acolhe sua família que aflita o abraça.
                Nunca havia conversado até aquele dia com o Sr. P. e daquele dia em diante se tornou um grande amigo. Onde nos encontrávamos batíamos um papo cordial e amigo. Seus familiares até hoje são meus amigos. O mal entendido passou e depois propiciamos um encontro entre o J. e o P. que se tornaram amigos também.
                Se naquela noite, um tiro alguém tivesse dado, teria sido a maior carnificina e até hoje seria noticia em nossa cidade. Lembro dos revólveres apontados de um lado e outro como se numa trincheira estivessem, mas, com ajuda do astral superior, um jovem consegue evitar uma tragédia que ficaria marcada na história e talvez nem estivesse aqui para contar a história.
                Pensemos nisso!
ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e tradicionalista.

quarta-feira, 11 de julho de 2018


                                                             LÁGRIMAS!
                E a várzea se encharcou da chuva que cai inclemente, sem parar, levando tudo pela frente em sua marcha insólita.
                Assim são também as lágrimas dos sofredores que deságuam nas canhadas da existência fratricida, sem noção de equilíbrio num vazio incompreendido de sua natureza imberbe e descontrolada.
                Por que tantas agruras ainda grassam sobre a cabeça de pobres mortais? O Universo desaba como desabam as águas em torrentes incontroláveis limpando miasmas e urzes que cruzam as estradas dos viventes como um roldão, não deixando nada em pé.
                As lágrimas também são assim. Limpam o nosso interior das demandas invasivas na máquina perfeita que é o nosso Soma ainda inabilitado para o Éden, onde fulguram miríades iluminando e preenchendo a casa nuclear, que foi fulminada pela incoerência do pensamento fútil e oco.
                A natureza é perfeita, é preciso entendê-la na sua complexidade e a chuva que cai é um bálsamo que cura as feridas abertas pelo nosso egoísmo, presunção e iniqüidades que praticamos diariamente contra aquilo que devíamos preservar.
                É mais um ensinamento para que venhamos a chorar menos depois. É o principio de ação e reação presente em todos os momentos de nossa vida. “colhemos o que plantamos”.
                As águas de fora fazem refletir as lágrimas de dentro para que introjetemos o ensino que está diante de nossos olhos numa explicação clara e insofismável da vida como ela é!
                A casa interior precisa ser abluída de toda nódoa que possa empaná-la. Na casa material feita de madeira, argamassa e tijolos, necessita de virtudes inerentes à natureza perfeita, que é o próprio Criador se manifestando.
               Para abrir a panacéia de conhecimentos que estão latentes a espera da paz que, com certeza, se espalhará numa corrente fluídica de rara beleza, influenciando a sociedade que passa por uma madorna. Inferindo, começando assim, alcançaremos a felicidade que tanto almejamos.
               Pensemos nisso!

quinta-feira, 5 de julho de 2018


                                                             LÁGRIMAS!
                E a várzea se encharcou da chuva que cai inclemente, sem parar, levando tudo pela frente em sua marcha insólita.
                Assim são também as lágrimas dos sofredores que deságuam nas canhadas da existência fratricida, sem noção de equilíbrio num vazio incompreendido de sua natureza imberbe e descontrolada.
                Por que tantas agruras ainda grassam sobre a cabeça de pobres mortais? O Universo desaba como desabam as águas em torrentes incontroláveis limpando miasmas e urzes que cruzam as estradas dos viventes como um roldão, não deixando nada em pé.
                As lágrimas também são assim. Limpam o nosso interior das demandas invasivas na máquina perfeita que é o nosso Soma ainda inabilitado para o Éden, onde fulguram miríades iluminando e preenchendo a casa nuclear, que foi fulminada pela incoerência do pensamento fútil e oco.
                A natureza é perfeita, é preciso entendê-la na sua complexidade e a chuva que cai é um bálsamo que cura as feridas abertas pelo nosso egoísmo, presunção e iniqüidades que praticamos diariamente contra aquilo que devíamos preservar.
                É mais um ensinamento para que venhamos a chorar menos depois. É o principio de ação e reação presente em todos os momentos de nossa vida. “colhemos o que plantamos”.
                As águas de fora fazem refletir as lágrimas de dentro para que introjetemos o ensino que está diante de nossos olhos numa explicação clara e insofismável da vida como ela é!
                A casa interior precisa ser abluída de toda nódoa que possa empaná-la. Na casa material feita de madeira, argamassa e tijolos, necessita de virtudes inerentes à natureza perfeita, que é o próprio Criador se manifestando.
               Para abrir a panacéia de conhecimentos que estão latentes a espera da paz que, com certeza, se espalhará numa corrente fluídica de rara beleza, influenciando a sociedade que passa por uma madorna. Inferindo, começando assim, alcançaremos a felicidade que tanto almejamos.
               Pensemos nisso!
ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Tradicionalista.

quarta-feira, 27 de junho de 2018


                                                               PRENDA MINHA!
                Encontrei-te no negrume da noite prenda minha, rosa do meu rincão. Teu olhar meigo me fascina como outrora já o fez e essa meiguice que trazes vem da tua alma límpida e pura que confrangeu meu coração.
                “Abre o poncho dessa alma, prenda minha que eu preciso me abrigar”, versos do poeta que encantam o velho peão cansado de lutas férreas em defesa da querência. Ronca a oito socos lá no fundo do rancho pedindo uma dança, daquelas de levantar poeira e recordo de tempos idos, quando amanhecíamos nos fandangos que, enquanto não se via o sol no horizonte, não acabava.
                Hoje os fandangos viraram bailes e os ranchos e galpões se tornaram bailantas onde até se dança de cola atada. Os grupos musicais, antes autênticos representantes da nossa música, tocam de maxixe pra cima para agradar os que estão chegando, esquecendo as virtudes dos templos sagrados, na vilania da busca de algumas patacas, pra encher as algibeiras dos tradicionalistas de plantão.
                Por isso, prenda minha te convido pra mais um fandango a moda antiga, de gaita violão e pandeiro com som ambiente, onde as famílias se reencontram para mais um rodeio de emoções, onde os corações se irmanam, nos mesmos ideais.
                As valsas, vaneiras, mazurcas, rancheiras, chotes, inclusive o de Duas Damas, se houver pouca prenda, marchas incluindo aí a Quadrilha, como dança de Minueto, como se fazia nos salões antigos do século dezenove em Paris, e no meio de tudo se provocava e se saia para o Rilo, dança da Vassoura, dança do Espelho, Meia Canha onde se namorava através dos versos e tantas outras brincadeiras de galpão, que unia as pessoas numa grande confraternização.
                Com tudo isso preparado prenda minha, vamos louvar a volta da tradição, já tão longe e abandonada por interesses mesquinhos e sub-reptícios que enodoam o passado desvirtuando o ensinamento de nossos avoengos, que estão loucos para levantarem-se de seus túmulos para dar um basta e dizer de novo como o velho Sepé. “Esta terra tem dono”.
                A prenda me dá a honra desta contradança?
Pensemos nisso!
ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Tradicionalista.

quinta-feira, 21 de junho de 2018


                                                           ORELHANO!

                Toca o compasso parceiro velho porque cada pisada é uma marca indelével na essência do vivente, teatino por natureza, cujo rancho é o próprio pampa com seu céu estrelado.
                Abrindo caminho nas tigüeras da ida sem rumo certo, tem seu destino a cada dia traçado e a galopito no más, sofreneia o corcel, parceiro cotidiano da vida errante, que já conhece seu dono pelo montar e pelo olhar perdido no horizonte.
                Mas o ritual dos fogões fulgura imponente em sua mente, quando pensa na china que ficou pra trás em recordações, como ave que voa e que sempre volta ao ninho. No entanto, ela não voltou e um gosto amargo de abandono retorce sua boca num esgar, profligando seu ânimo na penca da existência vazia.
                Ah vida orelhana! Que não precisa passaporte por andar a esmo com seu laço enrodilhado a espera de um pretérito saudoso aonde chegava à estância e via a cachorrada que o recebia em festa, sua mãe rindo e o abraçando, pela volta do filho pródigo à casa que o viu nascer.
                Contudo, pelos corredores dos alambrados ele perdeu-se e não consegue achar seu caminho de volta, prolatando descaminhos na aspereza das urzes do estradeiro, que esconde o iminente despenhadeiro como abutre que sobrevoa sua presa disforme.
                Que fim bucólico do guasca tapejara de outros tempos, que foi taura em diferentes guerras, revoluções e escaramuças de toda ordem!  
Acabaram os tempos e ele tomba inerte sobre as encilhas, suas mãos crispadas não soltam as crinas do pingo, que no despacito segue a jornada até o final. A ave sonora faz sua despedida no clarim campeiro quando do toque de silêncio, que cala fundo na noite soturnal, do desvanecimento total! Assim é a vida!
Pensemos nisso!
ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS – Professor e tradicionalista.

sábado, 16 de junho de 2018


                                                     SAUDADE REDOMONA!

                O sol da tarde caindo, bem lindo o céu nessa hora que a luz do dia vai mermando, mermando, até cair de todo no horizonte fugidio!
                É a solidão da campanha do guapo de antanho, que assombra de quando em vez a alma rude, mas o chimarrão não o deixa sozinho e no tição da brasa acesa, na trempe da saudade, suas mágoas desabafa.
                Deixei para trás horizontes e na busca de novas fontes, desenfreado saio. Um dia, cantarei de novo a beleza deixada, a do largo e meu mate de espera terá companhia no jujo da maçanilha enfeitando como china caborteira, a vida do peão!
                Meu catre não estará mais vazio e os pelegos aquecerão meu corpo cansado das lides dos viandantes sem rumo e de destino incerto. Sou parte da querência como centauro de homem-cavalo em um só, na memória do índio vago, que erra pelas coxilhas e canhadas infindas, no trote do pingo aguaxado.
                Aos coices, meu coração me leva a lugar algum, pois não vejo mais o verde dos campos. Meu rancho virou tapera e a coivara tomou conta dos lugarejos e vilas das minhas saudades!
                Aos arrancos da lembrança, repuxos e um gosto amargo na boca, sobressaem das agruras que tento cabrestear, mas, nas dificuldades dos retouços da vida maleva, que escoiceia sem parar como cavalo redomão, changueio sentimentos no flete fogoso da esperança, que me trás novo alento!
                Na bruaca, escondo os escolhos da vida secas que são restolhos da pregressa existência vã, que se esvai nos rios, que são lágrimas que de tão salgadas, formam novos mares, nos recônditos imersos na chucresa da vida gaviona.
                Assim é a vida que segue, na utopia de novos rumos mais alvissareiros, na cancha reta da carreira que se perde nos escombros da saudade redomona!
Pensemos nisso!
ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS- Professor e tradicionalista.
(Email, toninhosantospereira@hotmail.com; Twiter, toninhopds; Blog, WWW.allmagaucha.blogspot.com).



quinta-feira, 7 de junho de 2018


                                                  O PENSAMENTO!

Na escuridão da noite, me vejo pensando, desorientado. Não consigo achar um norte para esta fase da minha vida. O que foi feito, está feito, não tem como reparar mais nada.
Será que valeu a pena tanto esforço? Para que afinal? Os teus próximos, já não são mais tão próximos. Uma grande parte, já partiu para a estrada infinda.
Teus feitos, ninguém mais lembra e a solidão toma conta do ser. Não vê mais finalidade do seu existir!
Diante desta reflexão, infiro do por que tantas pessoas se atiram às drogas, largam suas casas e vão morar nas ruas! É o entorpecimento da própria alma, que aturdida, fica sem azimute, no perigoso fio da sanidade e da loucura. Ah! A mente com suas elucubrações e ainda indefinida para estudiosos e cientistas. Qual a explicação afinal? Por que grande parte da humanidade se sente assim?
É preciso escutar dentro de si próprio. Na realidade somos o efeito de nossos pensamentos. Por isso, faz mister emitir bons pensamentos, afim de armazenar energias positivas. É como a sintonia de radio ou televisão. Escutamos ou vemos o que escolhermos.
Pensamentos são coisas vivas e nos influenciam muito mais do que imaginamos. Cultivemos, pois bons sentimentos e não precisaremos ficar acabrunhados, na soledade da inércia e do mundo vazio em que, por vezes, nos encontramos.
Pensemos nisso!
       ANTONIO PEREIRA DOS SANTOS- Professor e tradicionalista.
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